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Procuradores investigam abusos da
Telefónica, Claro, Tim e Sky no atendimento aos usuários
Decisão da agência, de favorecer teles na faixa 2,5 GHz, recebeu expressivo
protesto dos consumidores na consulta pública nº 31
O Ministério Público de São Paulo abriu quatro
procedimentos administrativos para apurar as corriqueiras falhas de
atendimento no call center das operadoras Telefónica, Claro, TIM e Sky,
informou o site Teletime no dia 20.
Todas as queixas estão relacionadas à
dificuldade encontrada por usuários em falar com os atendentes das centrais
de atendimento. Três das quatro queixas ocorreram após o início da vigência
da nova lei do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), que foi
instituída no ano passado pelo decreto 6523.
“Esse setor continua apresentando as piores
médias de atendimento ao consumidor, mesmo após o estabelecimento da nova
lei do SAC”, disse o procurador da República Márcio Schusterschitz da Silva
Araújo.
Responsável pelos procedimentos, o procurador
afirmou ter consultado instâncias externas de defesa do consumidor, o
Ministério da Justiça, e que há fortes indícios de que as queixas sejam
reflexo de falhas sistêmicas, ou seja, da maior parte das empresas de
telecomunicações.
O desempenho ruim das quatro operadoras fez com
que o Ministério Público realizasse na terça-feira, em São Paulo, audiência
pública para verificar por que as regras do SAC não estão sendo cumpridas.
O procurador da República no Rio Grande do Sul,
Alexandre Gavronski, que também atua na área de defesa do consumidor do
Ministério Público Federal, lembrou as duas ações em curso impetradas pelo
Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) contra a Oi e a
Claro, por descumprimento de regras com relação à qualidade do atendimento
ao consumidor.
A indenização por danos morais pode chegar a R$
300 milhões para cada uma das empresas. “Se R$ 300 milhões não forem
suficientes para sensibilizá-los, teremos de tomar medidas mais drásticas”,
enfatizou Gavronski, completando: “O mundo bonito que os senhores
apresentaram tem que se tornar efetivo, pois a percepção da qualidade de
atendimento que nós temos não é a mesma mostrada aqui”.
Na audiência, representantes de todas as
operadoras móveis, além da Telefônica, Sky, TVA e NET disseram que a
principal dificuldade imposta pela nova lei do SAC é a obrigatoriedade do
atendimento ao cliente em 60 segundos. “Em muitos casos, os clientes não são
sequer atendido em 60 segundos”, rebateu Gavronski.
Quando os funcionários dos monopólios alegaram
que trabalham com mercados de massa e que somente o setor de telefonia móvel
conta com mais de 160 milhões de assinantes, o que segundo eles dificulta e
atrasa a implantação da lei do SAC, o procurador foi enfático: “O mercado de
cartão de créditos também é um mercado de massa e tem uma média mensal de
500 reclamações, contra 3,5 mil das empresas de telecom”.
A evasão frequente de funcionários das centrais
de atendimento - que geralmente não ficam muito tempo trabalhando com o
salário escorchante pago pelas empresas - foi outra desculpa apresentada
pelos representantes dos monopólios.
“Isso não pode ser citado como pretexto. As
empresas devem assumir o risco de sua atividade e do seu negócio e buscar
capacitar e reter seus profissionais da melhor forma possível”, concluiu a
advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Estela Guerrini,
salientando que essa característica é intrínseca da área de call center e
precisa ser encarada com naturalidade.
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