Embaixador denuncia na OEA “técnicas de tortura”
da ditadura hondurenha contra a Embaixada do
Brasil
O representante diplomático brasileiro na OEA
(Organização dos Estados Americanos), Ruy Casaes,
denunciou o “assédio desumano” promovido pelos
golpistas hondurenhos à Embaixada do Brasil em
Tegucigalpa, onde o presidente Manuel Zelaya
está abrigado desde 21 de setembro, quando
retornou ao país. O embaixador afirmou, durante
uma reunião do Conselho permanente da OEA, na
última quarta-feira (21), que “técnicas de
tortura” estão sendo usadas pela ditadura
hondurenha contra os que estão na Embaixada.
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza,
condenou os atos da ditadura e os embaixadores e
representantes dos 33 países, que atualmente são
membros da organização, demonstraram seu apoio
ao representante do Brasil. O Conselho da OEA
exigiu o “fim imediato" das ações e a retirada
de “todas as forças repressivas” dos arredores
da Embaixada brasileira. A declaração de quatro
pontos da OEA cobra dos golpistas a garantia ao
“direito à vida, à integridade e à segurança do
presidente José Manuel Zelaya" e de todas as
pessoas que estão na Embaixada e em seus
arredores.
Ruy Casaes afirmou que a ditadura está
recorrendo a “torturas psíquicas” como forma de
intimidação, como o uso de “cornetas” que tocam
durante toda a noite e “ruídos provocados por
policiais imitando animais” com o objetivo de
evitar que as pessoas abrigadas no prédio
durmam.
O diplomata contou que refletores de alta
potência são apontados para o prédio por toda a
noite, produzindo “uma luz insuportável”. Ele
explicou que um dos focos de luz aponta
diretamente para a janela do quarto onde se
encontra Zelaya. Ele disse ainda que, durante 24
horas por dia, militares armados montam guarda
em duas plataformas erguidas em frente à
Embaixada e conseguem ver o interior do prédio,
o que constitui “uma absoluta invasão de
privacidade”.
Casaes relatou que o fornecimento de comida é
“limitado” e que os alimentos são revistados,
farejados por cachorros, mas nem sempre são
entregues imediatamente, às vezes ficando
expostos ao sol forte durante horas, “o que já
provocou pelo menos uma crise generalizada de
diarréia”. Segundo o embaixador, na semana
passada, o lixo produzido no prédio foi
recolhido somente depois de quatro dias.