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Deputados defendem que latifúndio e agronegócio sejam investigados
Parlamentares criticaram a instalação da
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), na quarta feira, proposta pela
oposição contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e
defenderam que são os latifundiários e donos do agronegócio que têm de ser
investigados.
O líder do PT na Câmara, deputado Cândido
Vacarezza (SP), disse que o governo irá confrontar o que foi destinado ao MST
com o favorecimento às entidades que representam os ruralistas. “Teremos de
definir o que vai para a Confederação Nacional da Agricultura (presidida pela
senadora Kátia Abreu, uma das autoras do requerimento da CPMI) e para o
movimento”, declarou Vacarezza. O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) lembrou
que o “Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) junto com o
Sistema Nacional de Educação Rural (Senar), de acordo como o TCU, usou
indevidamente R$ 1 bilhão”.
O deputado Fernando Ferro (PT-PE) vê como
despropositada a criação de uma CPMI para investigar o MST vendo nesta proposta
da oposição uma tentativa de criminalizar a entidade, pois os ruralistas são os
responsáveis pela estrutura latifundiária predominante no país. Ferro também
defendeu uma CPMI que investigue os casos de violência no campo.
Para o deputado Ivan Valente (Psol-SP), a CPMI é
uma tentativa dos ruralistas de criminalizar os movimentos sociais. “Tínhamos
que investigar por que um setor se volta só para a monocultura, para a
exportação, para a reprimarização do país. Quero investigar as isenções
milionárias, os incentivos à exportação, o adiamento e o cancelamento de dívidas
do Banco do Brasil para uma setor que já é ultraprivilegiado no nosso país”,
defendeu. O deputado Domingos Dutra (PT-MA) reafirmou as palavras de Valente e
lembrou que foi “o crime organizado que atua no campo, financiado pelos
latifundiários” que “matou João Batista, Margarida Alves, Chico Mendes, Irmã
Dorothy e tantos outros”.
O requerimento da CPMI contra os trabalhadores
sem terra foi lido na quarta feira (21) no plenário do Congresso. O
requerimento foi apresentado pela senadora Kátia Abreu (Dem-TO) e pelos
deputados Onyx Lorenzoni (Dem-RS) e Ronaldo Caiado (Dem-GO), fundador da UDR,
com 188 assinaturas de deputados e 35 de senadores. São necessárias 171
assinaturas de deputados e 27 de senadores. Até às 23h58 da quarta-feira foram
retiradas 23 assinaturas do pedido de instalação da CPMI, mas foram apresentadas
outras 60, confirmando a instalação.
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