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PT denuncia operação-abafa para livrar Yeda
O vice-líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul,
deputado Raul Pont, divulgou nota, na quarta-feira, afirmando que a governadora
Yeda Crusius apresentou em entrevista uma nova versão para a compra de sua casa.
“Agora, a governadora diz que pagou RS 500 mil pelo imóvel, ou seja, R$ 50 mil
sumiram da transação. E que o restante foi parcelado, contradizendo duas versões
anteriores: uma que apontava para a contratação de um empréstimo e outra para o
pagamento de R$ 550 mil”, apontou Pont.
O líder do PT disse que há ainda uma quarta versão para a compra da mansão nos
documentos que integram a ação de improbidade administrativa movida pelo MPF.
“Se a relatora do processo do impeachment tivesse consultado o material, teria
se deparado com a versão do ex-marido de Yeda, Carlos Crusius, que é diferente
das demais”, diz a nota.
“Ela foi informada da situação em fevereiro de 2007 por Lair Ferst e Flavio Vaz
Netto e a única providência que tomou foi trocar as fundações para dar manter o
esquema fraudulento”, frisou Pont, falando que a governadora subestima os
gaúchos ao afirmar que não errou em relação ao Detran.
Para Pont o governo do PSDB tem muitas explicações para dar sobre os fatos
apurados pela Operação Solidária, que desvendou irregularidades em licitações
sob a responsabilidade do Estado. “É impossível que continuem a agir como se
nada estivesse acontecendo no Estado”, diz a nota.
Na terça-feira, a Assembleia gaúcha arquivou, por 30 votos a favor a 17, o
processo por crime de responsabilidade contra Yeda. Maioria na casa, os
governistas usaram o silêncio e não discursaram na defesa da tucana.
Únicos a ocupar a tribuna para se pronunciar, os oposicionistas disseram que o
relatório da correligionária de Yeda, deputada Zilá Breintebach, ignorou os
indícios apurados pelo MPF e Polícia Federal de que a governadora sabia e se
beneficiou do desvio R$ 44 milhões do Detran-RS.
O deputado Elvino Bohn Gass, líder da bancada do PT, falou que a decisão tomada
pela Assembléia está encobrindo um crime de responsabilidade da tucana.
Bohn Gass disse que a oposição se concentrará na CPI da Corrupção, que a partir
de agora vai analisar os documentos sigilosos da Operação Solidária, da Polícia
Federal, que investiga supostas fraudes em licitações estaduais. “Nós não vamos
parar de investigar porque a maioria do governo fez uma absolvição cega”,
finalizou Bohn Gass. |