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Mobilização na Camargo Correa garante 42% de
aumento no piso
Trabalhadores
do transporte, terceirizados pela empresa na
obra da Usina de Jirau, garantiram também
redução da jornada
Os trabalhadores no transporte nas obras da
Construtora Camargo Correa na Hidrelétrica de
Jirau, no Rio Madeira, conquistaram, em acordo
coletivo, um reajuste de 42% no piso salarial.
Conforme o Sindicato dos Trabalhadores no
Transporte Rodoviário do Estado de Rondônia (Sinttrar),
a mobilização garantiu um aumento no piso de R$
668,00 para R$ 950,00, além do vale alimentação
de R$ 100 e uma cesta de alimentos, com itens
pré-definidos, no valor aproximado de R$ 70. Os
trabalhadores são responsáveis pela condução dos
operários na obra da Construtora.
O acordo foi fechado com mediação da Justiça do
Trabalho e do Ministério Público do Trabalho (MPT)
da 14ª Região, e aprovou ainda a redução da
jornada de trabalho da categoria, que segundo o
Sindicato, chega a 60 horas. As empresas deverão
implantar a modalidade de dois turnos no prazo
de 60 dias, com 8 horas diárias. De acordo com
o presidente do Sindicato, Antônio Carlos da
Silva, as conquistas irão beneficiar 400
motoristas. “Também estamos organizando a
mobilização na Usina Hidrelétrica de Santo
Antônio”, afirmou o presidente, lembrando que a
proposta será estender o mesmo acordo para Santo
Antônio.
A negociação das empresas com os trabalhadores,
que estavam mobilizados para desencadear a
greve, iniciou no início desde mês, quando o
desembargador federal do trabalho, Vulmar de
Araújo Coêlho Junior convocou os representantes
dos trabalhadores, as empresas terceirizadas, o
Ministério do Trabalho e Emprego (TEM) e a
Camargo Corrêa para audiência. Após a
negociação, a greve foi suspensa por 72 horas.
Desde o início das obras da Hidrelétrica de
Jirau, os trabalhadores da Camargo Correa vêm
denunciando as condições precárias de serviço,
baixos salários e jornada longa. Em agosto deste
ano, a empresa foi convocada pelo Ministério
Público do Trabalho para prestar esclarecimentos
sobre contratos na Usina. Na época, o MPT e o
MTE advertiram a Construtora quanto à adequação
da empresa à legislação trabalhista.
No início deste mês, um dia após a assinatura do
dissídio coletivo estabelecido entre o Sindicato
dos Trabalhadores da Indústria e Construção
Civil de Rondônia (Sticcero) e a Camargo Correa,
60 trabalhadores que participaram da greve
ocorrida em setembro por aumento salarial foram
demitidos. Na assinatura do dissídio foi
estabelecido que qualquer trabalhador que
houvesse participado das paralisações não
sofreria perseguição.
Deputados denunciam que consórcio desrespeita
legislação sobre obras
Para o deputado estadual Tiziu Jidalias (PP), a
empresa não desrespeita apenas as leis
trabalhistas, como também os contratos de
construção. Conforme o deputado, autor do
requerimento de abertura da CPI instalada no dia
13 para investigar irregularidades na obra, o
consórcio (formado pelas empresas Camargo
Correa, Suez Energy South América, Eletrosul
Centrais Elétricas e Companhia Hidro Elétrica do
São Francisco – Chesf) alterou o local da
construção autorizado por lei, e está
prejudicando diversas comunidades ribeirinhas.
De acordo com Tiziu, a Assembleia do Estado irá
acionar o Ministério Público e o Tribunal de
Justiça para que a fiscalização seja
intensificada. “O consórcio de empresas que está
tocando a obra vem desrespeitando tudo e a
todos. Mudou o local da obra, passando a
construção para nove quilômetros de distância
sem apresentar novo estudo de impacto ambiental,
e está construindo uma vila residencial numa
área que é de propriedade do Estado, que não
concedeu autorização para tal utilização, além
de estar fazendo muito pouco no que diz respeito
à compensação social”. Segundo o deputado, parte
dos R$ 269 milhões de compensação social não foi
especificada pela empresa. |