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Centrais
Sindicais, no Seminário Nacional de Comunicação:
As leis
sobre mídia devem assegurar a prevalência do capital nacional no setor
As centrais sindicais CUT, CGTB, CTB, Força
Sindical, Nova Central e UGT decidiram, nesta quarta-feira, em seminário
realizado em São Paulo, apresentar dez propostas para democratizar a
comunicação no Brasil. Além de serem levantadas como bandeiras na 6ª Marcha
da Classe Trabalhadora, elas serão o eixo comum de atuação do movimento
sindical na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que acontece
entre 14 e 17 de dezembro, em Brasília.
São prioridades das centrais: fortalecer a rede
pública de comunicação; construir um novo marco regulatório: implementar um
plano nacional de fortalecimento da radiodifusão comunitária - contra a
criminalização – e um plano de inclusão digital, com internet banda larga
gratuita; estabelecer novos critérios para a distribuição da publicidade
oficial e para as concessões públicas; garantir o controle social sobre os
meios de comunicação; lutar pela concessão de um canal aberto para as
centrais sindicais; horário sindical gratuito nos meios de comunicação e a
recriação da Embrafilme.
Membro titular da Comissão Organizadora da
Confecom e secretária de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti avalia que o
fortalecimento da rede pública de comunicação se dará pela regulamentação do
artigo 223 da Constituição, que garante o princípio da complementaridade dos
sistemas privado, público e estatal. “Defendemos a criação de um fundo
público, com recursos previstos no orçamento da União e a taxação das
publicidades comerciais, a fim de garantir autonomia de gestão e
financiamento”, esclareceu.
Para as centrais, a reformulação das leis e
normas existentes e a elaboração de novas devem abranger o sistema de
telefonia, internet, cabo, celular, novas tecnologias e novas formas de
comunicação propiciadas pela era digital. Neste sentido, em contraposição ao
PL-29, que abre o segmento à exploração das teles estrangeiras, os
trabalhadores querem “assegurar a prevalência da propriedade de capital
nacional e combate à propriedade vertical (domínio do mesmo grupo
controlador) e cruzada (o mesmo grupo controlando vários tipos de mídia)”.
A respeito das rádios comunitárias, o Seminário
se pronunciou pela “descentralização dos processos de concessão, redução dos
prazos de tramitação e zoneamento da radiofrequência para definir o canal e
a potência para cada localidade”, combatendo a “criminalização” a que muitos
comunicadores populares vêm sendo submetidos.
Na avaliação das centrais, o plano nacional de
banda larga gratuita deve ser prestado em regime público, através da
Telebrás, com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de
Telecomunicação (Fust), enfrentando as imposições dos monopólios
transnacionais, que querem dominar o setor para continuar auferindo altos
lucros.
Para estimular a diversidade e a pluralidade
informativa, os sindicalistas defenderam “o estabelecimento de critérios
democráticos e transparentes de distribuição dos recursos oficiais”, fazendo
com que a publicidade governamental “não seja guiada apenas pelos
indicadores da circulação e audiência”, que via de regra concentram recursos
e poder em uns poucos conglomerados de mídia. Na mesma linha, propõem
“estabelecer mecanismos de participação da sociedade no processo de outorga,
renovação e fiscalização das concessões públicas, que hoje é de 15 anos para
TVs e de dez anos para as rádios”. Para efetivar o controle social, defendem
a “recomposição, com a participação tripartite, do Conselho de Comunicação
Social em âmbito nacional e sua estruturação nos Estados e Municípios, com
instrumentos que permitam a fiscalização a fim de aferir o cumprimento dos
artigos 221 e 223 da Constituição”.
As entidades sindicais também decidiram se
mobilizar pela concessão de um canal aberto para as centrais, que atuará em
consonância com o disposto no artigo 221 da Constituição Federal:
“preferência nas emissoras de rádio e TV de finalidades educativas,
artísticas, culturais e informativas; promoção da cultura nacional e
regional e estímulo à produção independente; regionalização da produção
cultural, artística e jornalística, visando fortalecer os valores éticos e
sociais”. Da mesma forma, vão lutar pela “garantia do direito de antena, por
meio do horário sindical gratuito nos espaços da programação dos meios de
comunicação objetos de concessão para as centrais sindicais” e pela
recriação da Embrafilme, “para produção de conteúdo nacional, regional ou
independente, com garantia de distribuição e comercialização em todos os
municípios”.
Altamiro
Borges: “A unidade é essencial para processo de democratização da mídia
avançar”
Na avaliação do jornalista Altamiro Borges, que
fez uma análise da ditadura midiática, a unidade dos movimentos sociais é
essencial para avançar no processo de democratização do Brasil. Segundo ele,
o fato de São Paulo ter abrigado mais de 70 pré-conferências municipais no
último final de semana expressa o acúmulo conquistado: “Isso é ótimo porque
todos os encontros têm concluído que os meios de comunicação no Brasil são
altamente monopolizados e manipuladores”.
Responsável pela Comunicação da CGTB, Ubiraci
Dantas de Oliveira ressaltou que a Confecom representa “um enfrentamento
mais direto ao monopólio da comunicação, que embrutece, emburrece e
criminaliza, atentando contra a cultura nacional e a diversidade regional
com seus enlatados”.
Diretor de Comunicação Social da Nova Central,
Sebastião da Silva, conclamou as centrais a atuarem cada vez mais unidas
para reverter o quadro atual das concessões públicas, “onde este espaço de
emancipação se transforma em espaço de manipulação econômica e política por
meia dúzia de famílias e pelo capital estrangeiro”.
“Não podemos esquecer que nos momentos de folga
é a TV quem está presente na vida do trabalhador, vendendo a ideologia do
consumismo e do egoísmo. Precisamos de um canal para fazer o contraponto a
isso”, alertou o secretário de Comunicação da CTB, Eduardo Navarro.
Saudando o compromisso coletivo com a
Conferência, o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna)
lembrou que além da contestação, é preciso que as entidades também busquem
criar uma publicação unificada para fortalecer o embate com as publicações
tradicionais dedicadas a criminalizar a luta dos trabalhadores.
Em nome da União Geral dos Trabalhadores (UGT),
Antônio Cortizo propôs que as centrais sindicais reivindiquem a concessão
de um canal de TV aberta e de uma emissora de rádio, para combater as
distorções e manipulações da mídia.
O diretor de Comunicação do Sindicato Nacional
dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Alexandre Wehby, sublinhou a
importância do seminário para irradiar posições unificadas do movimento
sindical e social a fim de garantir a efetiva democratização da comunicação. |