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Partidos
negam-se a participar de
eleições sem recondução de Zelaya
César Ham,
líder do partido Unificação Democrática, dirigentes do partido Inovação e
Unidade Social Democrata e deputados do Partido Liberal se declararam por
eleições só após o retorno de Manuel Zelaya à presidência
“Não
apresentaremos nenhum candidato às eleições se o presidente Zelaya não for
res-tituído a seu cargo”, assinalou César Ham, apontado candidato a
presidente do partido Unificação Democrática. Horas depois, o partido
Inovação e Unidade Social Democrata anunciou sua decisão de se retirar do
pleito se não for restabelecida a ordem constitucional com a recondução do
presidente Zelaya à presidência.
A Rádio Globo, que voltou ao ar, mesmo que ainda sob fortes restrições,
divulgou as declarações de dois partidos, além dos candidatos independentes
e de lideranças do Partido Liberal opostos ao golpe, que confirmaram que se
absterão de participar nas eleições que estavam previstas para o dia 29 de
novembro se forem organizadas sob o regime de ditadura.
O candidato presidencial independente Carlos H. Reyes, secretário geral do
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Bebidas, confirmou também sua
decisão de se retirar do pleito maculado pela repressão: “O governo golpista
foi obrigado a publicar a revogação do estado de sítio, mas a repressão
continua. A população, porém, sente a sua força crescer a cada dia e não
vamos concordar com essa farsa”, frisou Reyes.
“O povo que hoje resiste de maneira pacífica rejeita ser submetido a uma
ditadura e não participará de um processo eleitoral sob o domínio das armas.
Não temos condições de uma participação livre”, afirmou Betty Matamoros,
delegada do Movimento de Resistência contra o Golpe de Estado em Honduras.
“A Frente seguramente vai orientar suas bases quando houver um processo
eleitoral, mas só vamos concordar em permitir um pleito dessa natureza se a
população puder exercer seu direito de escolher com liberdade. Não passamos
por tanto sufoco e privações para entregar agora de bandeja a presidência
para um usurpador. Queremos Zelaya de volta! Só assim teremos espaço para
manifestar nossa vontade”, sublinhou Berta Cáceres, liderança da
resistência.
A chanceler Patrícia Rodas, disse que “não vamos reconhecer, não vamos
aceitar um processo eleitoral que não ocorra dentro da ordem, dentro do
estado de direito, dentro de um processo constitucional e com a legitimidade
que só pode ser conferida pelo presidente Manuel Zelaya”. Assinalou que,
caso Zelaya não seja restituído, não há outra coisa a ser feita que
desconhecer a eleição, “não vamos participar de um processo eleitoral em que
cada voto estará manchado de sangue de nosso povo”.
O ex-presidente do Congresso Nacional e representante hondurenho no Banco
Centro-Americano de Integração Econômica, BCIE, no governo de Zelaya, Carlos
Orbin Montoya, assegurou que o Partido Liberal, ao qual pertencem também
Zelaya e Micheletti, convocará uma assembléia extraordinária para decidir
sobre a retirada das eleições. Caso as bases do Partido Liberal, que já
ma-nifestaram seu repúdio ao golpe em convenção consigam manter sua unidade,
os golpistas ficaram sem a sua sigla principal.
A deputada do Departamento (equivalente a estado) de Graças a Deus, Carolina
Echeverría, disse que o aspirante presidencial Elvin Santos, é consciente
que o mais afetado com a não restituição de Manuel Zelaya, é o Partido
Liberal.
A deputada integrou delegação de oito deputados do partido que foram ao
candidato a presidente exigir eleições somente com o retorno de Zelaya ao
seu cargo.
Carolina afirmou ao candidato que “a solução para a crise política que
atravessa o nosso país passa necessariamente pela restituição do presidente
Manuel Zelaya”.
O candidato presidencial recebeu os deputados e declarou-se “disposto a
dialogar e condenou os que querem prorrogar a crise para dela tentarem tirar
proveito”.
“Sobretudo porque a comunidade internacional está exigindo um acordo e o
mais importante para nós é chegarmos a um governo no próximo 27 de janeiro
como amigos de todas as nações do mundo”, destacou Elvin.
As manifestações da resistência hondurenha cresceram depois da conquista da
revogação do estado de sítio que o povo nas ruas impôs à ditadura, na
segunda-feira passada.
Além das incessantes manifestações populares e do isolamento político, o
regime de Micheletti agu-dizou a crise econômica no país e acaba de anunciar
a redução de 60% em seus gastos correntes, num drástico corte do qual
escaparam só as forças repressivas. “Os golpistas já anunciaram o
encerramento compulsório das aulas nas escolas de primeiro, segundo e
terceiro graus. Enfrentam a resistência dos estudantes e das suas famílias.
Também cortaram qualquer repasse para o sistema de saúde.
Quem não tem acesso ao serviço privado depende da boa vontade, que é grande,
dos médicos e seus auxiliares. O transporte está um caos. Isso tudo só
aprofunda a revolta de nossos povo”, assinalou Juan Barahona, líder da
Frente Nacional contra o Golpe de Estado. |