Seminário no Paraná defende o pré-sal em poder da nação
Partilha,
fim dos leilões no pré-sal e aumento do Estado na Petrobrás foram temas
discutidos
O
governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), encerrou o seminário “Pré-sal
– O Brasil no caminho certo” com a leitura da Carta de Curitiba, documento
que defende o sistema de partilha e prega que os frutos da exploração das
novas reservas descobertas pela Petrobrás sejam distribuídos igualmente
entre os brasileiros. “Aqui encontramos uma coincidência de opiniões entre
diversos partidos e setores sobre o pré-sal. O tema costurou a necessária
unidade nacional em torno do assunto”, afirmou Requião (ver matéria ao
lado).
O evento promovido pelo governo estadual, na
última quinta-feira (22), no auditório do Canal da Música, em Curitiba, teve
o apoio de entidades e partidos políticos e contou com a participação de
autoridades e lideranças sindicais como os ministros Edison Lobão (Minas e
Energia) e Paulo Bernardo (Planejamento), o presidente da Petrobrás, José
Sérgio Gabrielli, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet),
Fernando Siqueira, além do coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP),
João Antônio de Moraes. O encontro, coordenado pelo Governo do Paraná, teve
o apoio de vários partidos, como o PMDB, PT, PP, PSB, PC do B, PDT, PTB, PSC,
DEM, PV e PSDB.
A Carta de Curitiba sublinha que o pré-sal
constitui a “mais incrível das possibilidades de romper as amarras do
subdesenvolvimento que se oferece aos brasileiros”. “A apropriação dessa
riqueza imensa por alguns poucos seria o mais grave dos crimes, a mais vil
das traições, a mais imperdoável das ações cometidas contra o povo
brasileiro. Seria o mesmo que restaurar os grilhões da escravatura, remontar
a forca em que foi imolado Tiradentes, refazer o pelotão de fuzilamento de
Frei Caneca, recapturar e submeter Zumbi dos Palmares, puxar de novo o
gatilho no peito de Getúlio Vargas”, diz o documento, subscrito por
autoridades, entidades sindicais e partidos políticos.
O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli,
defendeu em sua exposição no seminário o aumento da participação acionária
da União na Petrobrás, destacando que o modelo proposto para exploração das
novas jazidas prevê o aporte de recursos do governo federal na companhia,
por meio de compra de ações em valores correspondentes a até 5 bilhões de
barris de petróleo. A participação acionária do governo federal na Petrobrás
foi diminuída durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Sérgio Gabrielli informou ainda que durante o
atual governo, de 2003 a 2009, os investimentos da Petrobrás cresceram seis
vezes – de US$ 5 bilhões/ano a US$ 30 bilhões/ano. “Crescemos na área
explorativa, o que significou garantir o futuro da empresa. Hoje, diferente
de vender, o governo propõe medidas que permitem aumentar sua participação
na Petrobrás”, disse.
“O que está em jogo é a propriedade do nosso
petróleo, hoje nas mãos das empresas (multinacionais) que ficam com 55% da
nossa produção”, observou o presidente da Aepet, Fernando Siqueira. Ele
assinalou que a lei 9478, criada em 1997 na gestão de FHC, que acabou com o
monopólio estatal e implantou o regime leilões para a concessão de áreas é
“uma lei cheia de absurdos”, assinalou. O presidente da Aepet disse que a
entidade “é contra os leilões de modo geral e mais ainda no pré-sal, onde
não tem risco e apresenta um alto retorno. Então, não faz o menor sentido
fazer leilão no pré-sal” (ver matéria abaixo).
O coordenador da FUP, João Antônio de Moraes,
acrescentou que a introdução dos leilões e a quebra do monopólio fizeram o
Brasil andar na contramão da tendência mundial de ampliar o controle estatal
sobre as reservas de petróleo. “O modelo de concessão das reservas de
petróleo foi adotado unicamente pelo momento político dos anos 1990. Ele
(FHC) tirou da sociedade, do Estado, o controle sobre a matriz energética.
E, desde os anos 1960, todas as grandes nações caminharam para aumentar o
controle sobre suas reservas de petróleo”, disse.
Moraes avaliou que o modelo de partilha é um
avanço, “mas defendemos a proposta debatida e consensuada entre os
movimentos sociais e sindical, que prevê o retorno do monopólio estatal do
petróleo”. “A proposta do governo traz a Petrobrás como única operadora, o
que significa uma conquista, mas em termos gerais ainda é muito tímida e há
espaço para avançar mais”, destacou.
“A proposta do modelo regulatório do pré-sal diz
respeito a todos os brasileiros. Esta descoberta posicionará o Brasil entre
as dez maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo”, ressaltou o
ministro Edison Lobão, destacando que outro desafio que o país irá enfrentar
será o direcionamento dos investimentos. Para o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, “não queremos ser exportadores de petróleo”. “Temos que
aproveitar essa oportunidade para criar um projeto de desenvolvimento
nacional”, defendeu.