Para Requião, venda de ações da Petrobrás durante FHC foi “um
movimento entreguista”
O governador Roberto Requião, ao encerrar o
seminário “Pré-sal — O Brasil no caminho certo”, destacou que os
participantes do evento mostraram “a convicção de que é preciso se falar na
retomada do controle público absoluto da Petrobrás”.
“A estatal teve parte de suas ações vendidas na
bolsa de valores por 7 bilhões de dólares. Ao final de 2007, os mesmos
papéis valiam praticamente 120 bilhões de dólares”, argumentou. “Esse é o
negócio que foi feito há alguns anos com a empresa brasileira de petróleo. E
rejeito o argumento de que ele foi motivado pelas circunstâncias então, com
petróleo abundante e alto risco na extração das reservas brasileiras. Foi um
movimento mal elaborado e entreguista”, falou o governador. Entre julho de
2000 e março de 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, 36% das ações
foram vendidas a estrangeiros na Bolsa de Nova Iorque.
“Há algum tempo, fui recebido em Abu Dhabi pelo
ministro do Planejamento, Philipe Haddad. Ele me explicou que, nos Emirados
Árabes Unidos, o petróleo é do Estado. Não há concessão. Paga-se a empresas
por prestação de serviço. As empresas árabes de petróleo abriram seu
capital. Mas 60% dele seguem nas mãos do estado, e os 40% restantes
pertencem a famílias do país. Não há participação estrangeira”, declarou o
governador.
Para Requião, a questão do pré-sal “é a
possibilidade enorme de mobilização do Brasil, de união de todas as forças
políticas, em torno de uma proposta nacionalista, do Brasil nação, que se
opõe ao Brasil mercado”.
“Não há dúvidas de que o pré-sal empolga o país.
Basta ver que os partidos organizadores deste seminário são praticamente
todos os que funcionam regularmente no Paraná. É uma questão nacional,
abrangente, que supera diferenças políticas e administrativas. Hoje, a
defesa do petróleo em mãos do Estado brasileiro passa a ter mesma força dos
tempos da campanha ‘O Petróleo é Nosso’”, disse, numa referência ao
movimento que levou à criação da lei 2.004 que implantou o monopólio estatal
do óleo, na década de 50.
Sobre a distribuição dos royalties, Requião
defendeu que “estados e municípios têm suas jurisdições apenas até o
quebra-mar. Além dali, a área é da União. E esse petróleo tem que beneficiar
o país. Assim, o pré-sal não pode ser objeto de disputa mesquinha em função
de coordenadas territoriais que avançam mar afora. Por isso, a unidade que
conseguimos para este seminário é importante”. “A demanda do Paraná é que o
petróleo seja do Brasil”.