Paralisação sem motivo de obras trava o país,
diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou
a interrupção exagerada de obras por meros
indícios de irregularidades, sem que haja motivo
razoável apontado pelos órgãos de fiscalização.
Ele defendeu a criação de meios para punir
integrantes de órgãos como o Tribunal de Contas
da União (TCU), que determinarem paralisações de
obras onde as investigações não comprovem que
houve prática de irregularidades.
“O Brasil está travado. Não é fácil governar com
a poderosa máquina de fiscalização e a pequena
máquina de execução que temos. Estou tentando
fazer um relatório das coisas mais absurdas. Há
obras paralisadas por cinco meses, que depois
são liberadas sem que as pessoas que as
paralisaram tenham punição”, afirmou, durante
discurso na posse do novo advogado-geral da
união, Luis Inácio Adams.
“Quem dá ordem para executar está submetido a
todas as leis, e quem dá ordem para parar não
está a nenhuma. E se parte do pressuposto de que
todo mundo é desonesto, até que prove o
contrário. Às vezes prevalece o fundamentalismo,
e não a decisão técnica”, enfatizou.
Lula ressaltou que o país tem um grande prejuízo
com a paralisação de obras, assinalando que
interromper obras sem motivos relevantes é
trabalhar contra o Brasil. “Com que direito
alguém para uma obra por nove meses? Quantos
milhões deixamos de ganhar com aquela obra
parada? Hoje, uma pessoa lá nos confins de um
estado qualquer tem mais poder que o presidente,
muitas vezes uma pessoa de 4º escalão”.
“Com esse negócio de um remar para a frente e
cinco para trás, a gente nunca vai ganhar a
medalha de ouro do desenvolvimento”,
acrescentou. O presidente disse que algumas
pessoas que são responsáveis pela fiscalização
da execução de obras não têm dimensão do que
significa a paralisação dessas obras.
“Pessoas às vezes de 4º escalão resolvem que não
pode e acabou. Não existe um fórum. Se for para
a Justiça, demora muito tempo, anos. Precisamos
criar instrumentos em que essas coisas, na hora
de decidir, na hora que alguém entender que uma
obra tem que parar, tem que ter uma câmara,
alguma coisa de nível superior, tecnicamente
inatacável, para decidir, porque se não o país
vai ficando atrofiado”, destacou.
ANIVERSÁRIO
Na manhã do sábado, cerca de 200 pessoas foram
ao Palácio da Alvorada comemorar antecipadamente
os 64 anos do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. Ao cantar o parabéns, numa tenda montada
do lado de fora do palácio, Lula inverteu as
velas do bolo e formou o número 46. O presidente
disse que está se sentindo “um jovem de 63 anos”
ao comemorar mais um aniversário.
Segundo a Agência Brasil, o vice-presidente,
José Alencar, e a mulher, Mariza Gomes,
presentearam Lula com um conjunto para jogo de
cartas. Lula soprou as velinhas do bolo,
decorado com estrelas vermelhas do PT e a frase
“Lula, parabéns”. Da direção nacional do PT, o
presidente recebeu um vaso com 30 estrelas de
madeira, que representam os anos de existência
do partido e recebeu também uma bola de futebol
fabricada por crianças pobres do Distrito
Federal.
Ao ser questionado pelos jornalistas que pedido
fez ao soprar as velas, Lula disse que pediu
para o país ter um crescimento contínuo. “Um
pedido que faço é para que as coisas transcorram
com muita normalidade e que o Brasil cresça
muito bem no ano de 2010”, declarou o
presidente, que disse esperar um crescimento de
“mais ou menos 4,5%, 5% ou 5,5 %” para isso
representar “alguns anos de crescimento
contínuo, e estabelecer, na prática, aquilo que
o Banco Mundial está dizendo, que em 2016 o
Brasil poderá ser a quinta economia mundial. Se
isso acontecer é tudo que o povo brasileiro
precisa e quer”.
Quando lhe perguntaram se pediu pela eleição da
ministra Dilma Rousseff, respondeu: “Isso não
posso [pedir] porque está fora de época
eleitoral. A legislação não permite nem em sonho
que eu possa fazer qualquer pensamento positivo
sobre a Dilma antes da convenção partidária e
ela se afastar do governo. Mas no próximo
aniversário, se Deus quiser, estarei comemorando
a eleição dela”.