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Presidente da Vivo quer faturar mais e não pagar nada aos cofres públicos
Em entrevista ao portal TeleSíntese, o
presidente da Vivo, Roberto Lima, disse que “o setor [de telefonia móvel] virou
um órgão arrecadador estadual e federal” e adiante questionou “por que o governo
federal não tira o IPI, o PIS/Cofins, as taxas da Anatel?”.
Além de extorquir os consumidores, a Vivo não
quer pagar nada aos cofres públicos. Em 2008, segundo a publicação “Valor 1000”,
a Vivo teve um faturamento de R$ 14 bilhões e 249 milhões e um lucro líquido de
R$ 994 milhões, o que representou um aumento de 129,9% na comparação com o ano
anterior. Já a revista Exame, na edição “Melhores e Maiores”, publicou o
resultado da operadora em dólares: faturamento de US$ 8 bilhões e 823 milhões e
um lucro líquido de US$ 524 milhões.
O controle da Vivo é compartilhado pela
Telefónica de España e Portugal Telecom. É uma daquelas operadoras que, além de
bradar contra o sistema tributário – se fosse possível, gostaria de ser isentada
de pagar qualquer imposto para ampliar seus superlucros –, deram uma mordida
nos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): em
maio de 2007 foi contemplada com um financiamento de R$ 1,5 bilhão para
implantação da rede GSM a expansão da capacidade de tráfego nos 19 estados
atendidos pela operadora.
Não foi à toa que ela teve crescimento de 129,9%
no lucro líquido, dinheiro que foi parar nos cofres dos controladores, com sede
no Velho Continente. E ele quer mais. Roberto Lima reivindicou também para as
operadoras a utilização do Fundo de Universalização dos Serviços de
Telecomunicações (Fust) e do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).
Os faturamentos espetaculares das operadoras de
telefonia móvel, como de resto, de todo o setor de telecomunicação, acontecem
graças à monopolização do setor e suas tarifas extorsivas. No ano passado, as
teles estrangeiras enviaram US$ 881 milhões para o exterior em remessas de
lucros, ante US$ 461 milhões do ano anterior, o que significa um aumento de 91%.
Parte significativa de responsabilidade da telefonia móvel e entre estas a Vivo
(29,40%, em setembro deste ano).
Lima alardeou que os supostos investimentos “das
operadoras móveis no Brasil este ano devem ultrapassar R$ 10 bilhões”. Só não
disse que apenas no primeiro trimestre de 2009 as operadoras (Vivo, Tim, Claro e
Oi) apresentaram uma receita líquida de R$ 11,846 bilhões.
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