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MP ajuiza ação contra ex-diretores da CPTM, Alstom e Ferrocarriles
O Ministério Público Estadual (MPE) ajuizou, na semana passada, ação por
improbidade administrativa contra três ex-diretores da Companhia de Trens
Metropolitanos (CPTM) e integrantes do Consórcio Ferroviário Espanhol-Brasileiro
(Cofesbra II), formado por Alstom, Bombardier e Construcciones y Auxiliares de
Ferrocarriles.
A ação é um dos resultados das investigações dos Ministérios Públicos, Federal e
Estadual, sobre o pagamento de propina, pela multinacional francesa Alstom, para
políticos do PSDB com o objetivo de conseguir os contratos de execução das obras
do Metrô na capital.
A Alstom é uma das empresas do Via Amarela, consórcio responsável pela cratera
que, no dia 12 de janeiro de 2007, matou sete pessoas e deixou 65 famílias
desabrigadas no canteiro de obras da futura Estação Pinheiros, da Linha 4 do
Metrô. A Construcciones y Auxiliares de Ferrocarriles uma das controladoras da
SuperVia - um conluio entre fundos especulativos, sobretudo americanos e
ingleses, que explora os trens do Rio - que foi flagrada agredindo usuários com
chicotes e socos para forçar a superlotação dos vagões e que provocou a ira dos
passageiros no começo deste mês.
A Promotoria Pública apontou na ação uma fraude contra a lei de licitações no
sexto reajuste de contrato entre as companhias e o Estado em 1995, de R$ 223,5
milhões. O aditivo ao contrato que comprou 12 trens além dos 16 originais foi
assinado em 2005, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), após dez anos de seu
início. Segundo o MP, houve aumento de 73,69% no valor original da compra,
ultrapassando o limite de aditamento permitido por lei e passando a ser
considerado uma compra nova e, por sua vez, sujeita a licitação.
Segundo o promotor Antonio Celso Faria, o aditamento foi feito “em total arrepio
à lei de licitações e ao mais comezinho bom senso”. “É verdadeiramente nova
compra (de trens, inclusive com outra tecnologia), não possuindo nenhuma
característica de aditamento”, argumentou.
Na ação, é solicitada a anulação do sexto aditamento, a devolução do valor
integral do aditamento e condenação do diretor presidente da CPTM à época, Mário
Manuel Bandeira, do ex-diretor administrativo e financeiro, Antonio Hoshikawa, e
do ex-diretor de Operação e Manutenção, José Lavorante. Em 2007, o aditamento já
havia sido julgado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). |