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FUP: queremos nova relação com a Petrobrás para
podermos defendê-la
Os petroleiros recusaram a proposta de 1,5% de
aumento real feita pela empresa. Reivindicação
da categoria é, entre outras, 10% e melhores
condições de trabalho
As assembleias realizadas em todo o país pela
Federação Única dos Petroleiros (FUP), desde a
última quarta-feira (21), estão reafirmando a
posição dos trabalhadores do Sistema Petrobrás
de rejeitar a proposta da empresa.
Conforme a FUP, que avalia a realização de uma
greve nacional, a Petrobrás ofereceu reajuste de
4,36% (IPCA) mais ganho real entre 1,5% e 2%,
evoluindo de uma proposta inicial anterior entre
1,2% e 1,5%. Os petroleiros propõem, no mínimo,
10% de ganho real e defendem que a direção da
Petrobrás suspenda imediatamente as 90 punições
referentes à greve de cinco dias feita em março,
além de outras reivindicações como pagamento
dobrado pelo trabalho em feriado e melhores
condições de trabalho.
O coordenador da FUP, João Antonio Moraes,
informou que o índice de rejeição tem se mantido
em torno de 90% na maioria das assembleias,
sendo que em algumas bases da entidade - que
reúne 35 mil petroleiros -, há um rechaço
unânime. Moraes lembra que a Petrobrás
apresentou, em menos de um mês, duas
contrapropostas que não contemplam as principais
reivindicações da pauta, seja em relação à
ampliação dos benefícios ou à melhoria das
condições de trabalho.
Conforme Moraes “estamos mobilizados por uma
nova lei do petróleo e é importante que a
direção da Petrobrás leve em conta que
precisamos de outro tipo de relação. Até para
que a categoria esteja mais tranquila a fim de
que possa defender melhor os recursos do pré-sal
e a própria empresa”.
As assembléias na Regap (MG), na Reman (AM) e
nas bases do Rio Grande do Norte já foram
encerradas. Nos terminais de Suape (PE) e
Cabedelo (PB), assim como na sede administrativa
da Petrobrás em Recife (Center II), a rejeição
também foi aprovada.
O processo de consulta continua, com os
petroleiros aprofundando seu grau de unidade e
mobilização, destacou Moraes. Na Bacia de
Campos, 25 das 45 plataformas já realizaram
assembléias, totalizando até o momento 718 votos
pela rejeição e apenas 11 a favor. A mesma
orientação vem da Replan, Recap e do Terminal de
Barueri, bases do Sindicato dos Petroleiros
Unificados de São Paulo, onde a grande maioria
dos trabalhadores tem aprovado o estado de
greve.
Nesta semana, os petroleiros iniciaram uma série
de paralisações surpresa, colocando pressão em
apoio à pauta. Nas últimas terça e quarta-feira,
as mobilizações se concentraram nas refinarias,
enquanto na sexta-feira, as manifestações foram
realizadas nos terminais da Transpetro.
Com reunião marcada para os próximos dias 4 e 5
de novembro, em Brasília, o Conselho
Deliberativo da FUP definirá novas estratégias
de ação da campanha reivindicatória, avaliando
as condições para uma greve nacional.
FUP apresenta medidas contra a terceirização
precária na empresa
Lideranças da Federação Única dos Petroleiros e
da Confederação Nacional dos Vigilantes e
Prestadores de Serviços (CNTV-PS) aprovaram,
durante reunião no Rio de Janeiro, sexta-feira
(23), ações comuns para garantir igualdade de
direitos em relação a questões como jornada,
repouso e remuneração. Além disso, sublinham a
necessidade de condições dignas de trabalho para
petroleiros e vigilantes contratados por
empresas prestadoras de serviços da Petrobrás.
Para a FUP, é essencial que o processo de
negociação coletiva em andamento com a empresa
aponte também para o fim da precarização, da
desigualdade e da discriminação a que estão
submetidos dezenas de milhares de terceirizados.
Entre outros pontos, a pauta da FUP defende
garantia de pisos salariais mínimos nunca
inferiores a dois salários mínimos, pagamento de
PLR (Participação nos Lucros e Resultados);
auxílio-alimentação de, no mínimo, R$ 200,00,
assistência médica e transporte adequado, e o
funcionamento permanente de uma Comissão
Conjunta de Terceirização junto à direção da
Petrobrás para tratar das condições de trabalho
dos terceirizados. |