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José Mujica, da Frente Ampla, sai na dianteira no
primeiro turno das eleições presidenciais uruguaias
A “Com uma margem de cerca de 19 pontos acima do seu mais imediato seguidor,
a Frente Ampla fez uma muito boa votação e ratificou sua condição de
primeira força política do Uruguai”, afirmou José (Pepe) Mujica,
considerando o resultado da eleição presidencial realizada no domingo
passado. Os dados oficiais fornecidos pela Corte Eleitoral, na
segunda-feira, dia 26, informaram que Mujica, candidato da coalizão que está
no governo, obteve 47,49 % dos votos, enquanto que o ex-presidente Luis
Alberto Lacalle (1990-1995), do opositor Partido Nacional, colheu 28,5%,
sobre o total dos votos emitidos.
Porém, não tendo a Frente Ampla obtido 50% dos votos mais 1, deverá se
realizar o segundo turno nas eleições presidenciais, em 29 de novembro
próximo. O Partido Colorado, que postulou Pedro Bordaberry, filho do
ex-ditador Juan Bordaberry (1973-1976) e sucessor político de seu pai,
recebeu 16,66% dos votos; e o Partido Independente, de Pablo Mieres, 2,43%.
Foram às urnas 89,86% dos eleitores, um percentual considerado elevado,
mesmo num país onde o voto é obrigatório.
A Frente Ampla pode obter a maioria parlamentar, mas será preciso esperar
alguns dias para saber para quem foram os votos “observados” (que
correspondem a cidadãos que, por algum motivo justificado, não puderam votar
em sua zona eleitoral, aqueles cuja identidade oferece alguma dúvida ou
também aos estrangeiros residentes no Uruguai com direito a voto), cerca de
30 mil.
Estiveram em disputa 99 cadeiras de deputados e 30 de senadores.
“Ninguém nunca nos deu nada de presente. A vitória contra o atraso sempre
custa um pouco mais. Agora não é pela bandeira tricolor [da Frente Ampla]. É
por esta, do Uruguai”, disse Mujica, antigo lutador pela democracia e
soberania do país, um dos fundadores do Movimento Tupamaros, organização que
enfrentou, em armas, a ditadura que infelicitou o Uruguai entre os anos 1973
e 1985.
“Serão trinta dias de luta, mas não de ódio. Queremos que nosso povo pense
não em partidos, mas no país”, frisou.
Mujica, de um palanque onde esteve acompanhado de seu candidato a vice, o
ex-ministro da Economia Danilo Astori, considerou que “não podemos, porém,
achar que todos os votos que a oposição teve no primeiro turno são votos
fechados, firmes, sem volta. Como em toda eleição, há problemas pontuais,
insatisfações passageiras, de caráter regional, até pessoal. Mas, na hora do
vamos ver, quando o que se decide é o país que queremos, ai a coisa muda de
cor. Estou confiante na nossa vitória”.
Mesmo com os dois partidos à direita se unindo, a Frente Ampla deve agora
receber votos que no primeiro turno ficaram do outro lado, avalia a direção
da frente, considerando que Bordaberry teve uma votação maior que a que ele
próprio esperava, fruto da insatisfação com Lacalle que, em sua primeira
presidência, submergiu o país numa profunda crise, transformando o Uruguai
em paraíso fiscal para especuladores dos países vizinhos.
Nas eleições de 2004, a vitória de Tabaré Vázquez por estreita margem já no
primeiro turno evitou a união dos dois partidos mais tradicionais, que
existem desde 1828.
Junto com as eleições de domingo, os uruguaios votaram em plebiscitos sobre
a anulação da Lei de Caducidade, que impede o julgamento de policiais e
militares autores de violações dos direitos humanos durante a ditadura
(1973-1985), e sobre a habilitação do voto por correio para os residentes no
exterior. No domingo, os uruguaios decidiram manter a lei e negar o voto
pelo correio a seus emigrantes. |