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Bancos dos EUA cortam
em 28% o crédito para empresas
Após serem agraciados
com US$ 700 bilhões do bailout, neste 3º trimestre os bancos comerciais
americanos cortaram os empréstimos “a uma taxa anualizada de 19%”, enquanto
os créditos para as empresas “despencaram a 28% anualizados”
Segundo números do Federal Reserve, os bancos dos EUA impuseram um arrocho
de crédito sem precedentes no terceiro trimestre do ano, com o total de
empréstimos dos bancos comerciais no período caindo “a uma taxa anualizada
de 19%”, enquanto os empréstimos às empresas “despencaram a 28% anualizados”.
Conforme o “MarketWatch”, do “Wall Street Journal”, “os bancos dos EUA estão
reduzindo seus empréstimos à mais acelerada taxa já registrada”, e ameaçam
deixar empresas viáveis “sem condição de expandir negócios, pagar a folha de
salários ou renegociar dívidas”.
Ou seja, no mesmo momento em que estão se auto-concedendo o mais gordo bônus
da história, US$ 140 bilhões, de acordo com o “Wall Street Journal”, os
bancos dos EUA negam ao público e às empresas – particularmente às pequenas
empresas – o crédito para a retomada da economia e para suas necessidades.
Os bancos dos EUA, após serem agraciados com mais de US$ 700 bilhões de
bailout – dinheiro público – e com trilhões de dólares de garantias federais
a títulos podres, desviaram esse Himalaia de recursos para bancar o bônus,
inflar nova bolha na Bolsa de Wall Street e parasitar outros países – como o
Brasil – por meio do “carry trade” (pegam dinheiro do governo dos EUA a
juros negativos e “aplicam” no exterior embolsando os maiores juros do
mundo).
O crédito vem encolhendo “há sete meses consecutivos” – o mais longo período
de contração desde a recessão de 1991 – destacou Mike Whitney. O crédito ao
consumidor despencou em julho “em US$ 19 bilhões, seguido por uma queda em
agosto de US$ 12 bilhões”, acrescentou. O gasto com cartões de crédito
“diminuiu de quase US$ 10 bilhões em agosto”.
Em relação a outubro de 2008, o montante de empréstimos concedidos pelos
bancos, assinalou Whitney, está 14% abaixo”. “A situação está ficando pior,
não melhor”, ressaltou, ao analisar em seu artigo “O Morto que Anda”, a
situação da economia dos EUA. “O crédito privado está agora encolhendo a uma
taxa anualizada de 10,5%”.
ARROCHO
As consequências do arrocho de crédito para as pequenas empresas dos EUA –
que são responsáveis por 50% dos empregos -, foram sintetizadas pela
executiva e consultora Meredith Whitney, no “Wall Street Journal”, em uma
curta frase: “largadas à própria sorte”. “Quem quer que esteja contando com
uma recuperação econômica significativa ficará muito desapontado. Como eu
sei? Eu sigo o crédito e o crédito está contraindo”.
As linhas de cartão de crédito “foram cortadas em 25% desde o ano passado”,
condenou. As condições para empréstimos tornaram-se leoninas, conforme
apontaram 79% dos ouvidos à Associação das Pequenas Empresas dos EUA. Como
concluiu Meredith, “os bancos, em outras palavras, querem emprestar apenas
àqueles que não precisam de empréstimos”.
Ela acrescentou que nos dois últimos anos, “as linhas de cartão de crédito
foram cortadas em cerca de US$ 1,25 trilhão”. Foram cancelados sumariamente
“10% de todos os cartões de crédito”. Para ela, os bancos vão executar a
fase 2 desse arrocho e outros “US$ 1,5 trilhão de linhas de cartão de
crédito serão removidas até o final de 2010”.
ANTONIO PIMENTA
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