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Zelaya denuncia falta
de seriedade de golpistas e exorta à resistência
O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, ao cabo de
várias tentativas de chegar a um acordo, deu por encerrado o diálogo com a
ditadura de Roberto Micheletti, depois que este se recusara a restituí-lo,
na sexta-feira, dia 23. Qualificou de “indecorosa e indecente” a pretensão
do golpista de que ambos renunciem e “seja criado um governo de transição,
também imposto, para solucionar a crise em que o país foi submerso”. O
presidente Zelaya exortou os hondurenhos a manter a resistência contra o
golpe.
“Considero que eles (os golpistas) se comportam com
muito pouca seriedade sobre este diálogo, e realmente não queremos ser
cúmplices neste jogo em contra do povo hondurenho que está lutando pelos
seus direitos nas ruas de todo o país e sofrendo esta tragédia”, expressou
Zelaya em declarações à Radio Globo.
“Seria indecoroso, indecente para o povo hondurenho que
eu fosse negociar o cargo para qual o povo me escolheu. Não valeria a pena
nem a luta que estamos fazendo nem valeria a pena o acordo. A violência, a
imposição, os interesses antinacionais pisariam sobre os direitos do povo. A
comunidade internacional não aceitaria esse achincalhe”, disse Zelaya, após
escutar da delegação da Organização de Estados Americanos (OEA) os termos da
proposta de Micheletti.
“Os usurpadores apresentaram a mesma posição que veio se
manifestando desde o golpe de Estado, essa pretensão de buscar uma terceira
opção é arbitraria, porque isso significa outro golpe de Estado”, sublinhou
o presidente. Afirmou que ele não renuncia “ao diálogo honesto, mas ao
diálogo falso”, e que se mantém firme na luta, “porque quando se luta por
princípios e direitos não há trégua”.
A última fase das conversações se desenvolveu de 7 a 22
deste mês sob os auspícios da Organização de Estados Americanos (OEA), mas
os golpistas colocaram uma barreira no ponto principal: a restituição da
Presidência a Zelaya. |