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As reflexões do
gazeteiro sobre o jornalismo e a conquista dos ares -1
O escritor e
jornalista Mario Drumond, autor de “Sete Danças para Villa-Lobos”, “Dans l’air -
A via Santos-Dumont”, “Roteiro de Minas” e outras enriquecedoras obras, é
daqueles intelectuais de uma estirpe rara: a dos que jamais se renderam, nos
anos obscuros porque o nosso país e o mundo passaram sobretudo a partir da
década de 90. Foi de seu blog, pleno de inteligência e estilo, que extraímos os
trechos sobre o jornalismo e o surgimento da aviação que hoje publicamos. São
amostras do trabalho de Drumond, e, na nossa opinião, magníficas amostras. Mas,
em http://marioobras.blogspot.com o leitor poderá lê-los na íntegra, assim como
a outras obras do autor.
C.L.
MARIO DRUMOND
Um bom exemplo dos
primórdios do jornalismo em nossa língua foi a “cobertura” dada em Portugal às
diversas viagens a Lisboa do brasileiro Bartolomeu de Gusmão, o nosso “Padre
Voador”, em particular nas gazetas em forma de carta de José Soares da Silva, um
dos mais importantes gazetistas europeus dos fins do século XVII e início do
XVIII.
Desde a primeira viagem, em 1701, o ainda
adolescente Bartolomeu de Gusmão causara assombro no reino de Portugal pela fama
que por lá se espalhou de sua prodigiosa inteligência, capacidade de memória e
talento (vamos manter a grafia original de Soares da Silva), “pois de 15 para
16, dizem que sabe o que contem a memória infra inscripta; o que parece excede a
capacidade do tempo, ainda que fosse imprimindo-lhe fielmente na memória tudo
quanto lesse, sem lhe discrepar hum apice, como dizem que ele faz, e lhe fica
tudo quanto hua vez passou pelos olhos”. A história não confirma nem
desmente o prodígio do qual desconfia o gazetista, mas o fato é que o nome do
jovem volta às “manchetes” européias em 1709, desta vez com uma verdadeira
bomba, assim noticiada pelo mesmo gazetista, quando relata a chegada daquele “celebre
estudante americano, que aqui esteve annos atraz, não já para declamar de cór,
de traz para diante e de diante para traz, as odes de Horácio e os livros da
Escriptura, mas para impetrar d’El Rey D. João V, um inesperado e singular
privilégio de invenção. (...) No mesmo tempo, em que temos tão poucos homens,
que saibam andar pello mar, e pela terra se achou hu que quer andar pello ar, e
fazer 200 legoas por dia, e para este effeito deo petiçam a Sua Magestade, em
que produz o arbitrio e pedio privilegio, para que descuberto o tal arbitrio, e
executado por elle lhe fizesse Sua Magestade alguas mercês”.
Nessas “200 legoas por dia” cresceram
os olhos ganaciosos de muito interesse, e a “nuova navigazione per andare
alle Indie senza toccare la Tramontana, mas direttamente per Levante” já era
noticiada ao Papa, no Vaticano, e assim era defendida a petiçam do jovem
gênio brasileiro pelos próceres chegados a Sua Majestade, pensando, claro, nos
benefícios imediatos (mercês) que lhes seriam auferidos desde alí,
ademais de sonhar com os futuros que colheriam a bastança se, porventura,
estivessem diante de um novo Vasco da Gama: “... por que enteressa a Vossa
Magestade muito mais do que nenhum dos outros Principes, pella Mayor distancia
de Seus dominios, evitandose desta Sorte, os desgovernos das Conquistas que
provem em grande parte chegar muito tarde as noticias dellas. Além do que poderá
Vossa Magestade mandar Vir o precioso dellas, muito mais brevemente e mais
Seguro ...”.
Quer dizer, a mordida no erário já estava
preparada, já começava a ser dada pelos que podiam fazê-lo de imediato, e iria
longe, muito longe, o engodo na “opinião pública” (como hoje sabemos que podem
ir até ao infinito) para respaldá-lo, não fosse a denúncia do gazetista ao
reportar as primeiras experiências da invenção que a Europa toda aguardava
ansiosa - pois na época a simples possibilidade do transporte aéreo era
equivalente à do transporte intergalático hoje -, nesta obra prima do jornalismo
pioneiro:
“El Rey os dias passados também o apertou
de sorte a falta de respiração que lhe sobreveyo á sua queixa que a toda a
pressa o sacramentaram de noute. Porém com a nova cura que fez logo, está com
conhecida melhoria em hum e outro achaque e já anda erguido e composto; como
assistio a varias comedias que agora se fizeram no Paço. E hum dia destes ao
Voador, que, na sua presença, na casa do Forte debaixo da das embaixadas, foy
fazer a primeira prova do seu engenho, levando para isto hum globo de papel o
qual dizia elle, por si mesmo se havia de elevar aos ares, mettendo-lhe dentro
hua vela acesa, e fazendo a primeira vez, voou elle com brevidade, porque lhe
pegou o fogo, e ardeu inteiramente, e para isto ha mais de quatro mezes que anda
trabalhando nas taes fabricas, o que pudera fazer em quatro horas, ao menos, ou
ao mais em 24 como fez no segundo globo, que levou no segundo dia ao Paço, o
qual se não ardeu como o primeiro, fez o que qualquer fizera porque gastando
pela luz o ar, que continha dentro o globo, o ar ambiente natural muito o
arrebatou ao alto da casa como não tinha outra materia mais que papel, e assim
tornou outra vez a descer como subira, sem fazer mais nada que he o que basta,
para andar duzentas légoas por dia, e levar as quarenta arrobas de peso. Se isto
não se vira não se crêra.”
Por mais impiedosa seja a verdade, é dever do
jornalista enunciá-la. A verdade é a matéria prima do jornalismo, assim como a
luz é a da fotografia. Mesmo que o nosso desejo patriótico fosse o de que
Bartolomeu de Gusmão fosse reconhecido como o precursor da aeronáutica, depois
da contundência do relato jornalístico de José Soares da Silva, queda inútil
qualquer esforço neste sentido; não podemos reivindicar para o nosso compatriota
sequer a invenção do balão de São João, pois foram imigrantes chineses que nos
ensinaram a fazê-los, no Ciclo do Ouro, a partir de milenares tradições da
cultura oriental. Assim, a verdade denunciada através do jornalismo é útil não
só aos contemporâneos como faz um grande favor à História. Ninguém quer ser
enganado.
SANTOS-DUMONT
Passaram-se 200 anos para que o fiasco do
jovem visionário brasileiro em Lisboa fosse vingado pela contundente vitória de
outro jovem brasileiro, desta vez em Paris. E, novamente, a aeronáutica deve ao
jornalismo combativo e leal aos fundamentos originais do ofício, que ainda se
praticava na França, um papel fundamental no decorrer dos fatos, no registro
deles e na afirmação irrevogável da verdade histórica.
Ao contrário de Gusmão, Santos-Dumont chegou
na Europa sem alarde ou aviso; não foi lá para fazer petições a poderes
constituídos, para se exibir em palácios ou pedir favores. Foi porque Paris
possuía as condições de que ele necessitava para realizar o que tinha em mente,
não como sonho visionário, mas como cálculo ousado ao qual o destino acabou por
conceder-lhe o prêmio, aliás bem maior do que toda a audácia de um jovem gênio
inventor de sua época poderia projetar.
Numa fulminante trajetória de apenas dez
anos, do balão Brasil (1898) ao Demoiselle (1908 - o primeiro
avião do mundo, e não o 14-Bis, como muitos acreditam), realizou nada
menos de 23 projetos aeronáuticos pioneiros, verdadeiras obras primas de engenho
e arte, 15 dos quais ele mesmo pôs em vôo, além de inúmeros inventos
secundários, mas nada desprezíveis, tais como os primeiros motores a petróleo
(incluindo o famoso V-8 e o motor de “dois tempos”), o relógio de pulso, o
chuveiro para banho, a descarga d’água em vaso sanitário, a madeira compensada,
incontáveis ferramentas de oficinas e uma longa sequência de etcéteras. Em nove
desses dez anos, desfrutou a condição de ser o único ser humano em todo o mundo
a compartilhar com os pássaros o tridimensional e até então inexplorado espaço
sem fronteiras da atmosfera terrestre.
“Digam o que disserem, não há dois dirigíveis
no mundo, mas apenas um. E é preciso vir até Paris para vê-lo” – disse Deutsch
de la Meurte em 1901, sob a pressão de grande polêmica por conceder o prêmio a
Santos-Dumont pelo célebre vôo até a Torre Eiffel.
Para os manipuladores de plantão, a
trajetória do jovem brasileiro em Paris era uma verdadeira dor de cabeça. Não se
subordinava a ninguém, não pedia auxílios, favores ou permissões, não reconhecia
autoridades, não perguntava se podia ou não voar ao seu bel prazer pelos céus de
Paris – e quem poderia impedi-lo? Além do mais, não permitia que os frutos de
sua genialidade servissem a interesses de quem quer que fosse, a não ser à
Humanidade mesma, a quem doou sem pedir nada em troca todas as suas invenções
extraordinárias, sem exceção. Registrava-as, sim, todas, mas sempre para o
domínio público (“que péssima idéia!”), e levava às barras dos tribunais os
que tentavam usurpar-lhe invenções em benefício próprio.
Esse é o tipo de rebelde mais perigoso para
os manipuladores de sociedades. Eis por que, mal despontou a possibilidade de
que Santos-Dumont poderia resolver o problema do transporte aéreo, já então na
mira da ganância das maiores potências capitalistas, começaram os boicotes e as
sabotagens contra o jovem inventor e sua obra imortal. E, se não fosse o apoio
do jornalismo combativo e incorruptível que era praticado pelos principais
jornais daquela Paris de então - que trouxe ao inventor o apoio inarredável da
opinião pública -, com certeza teriam logrado impedi-lo de chegar onde chegou.
Gondim da Fonseca, uma das maiores glórias do
jornalismo brasileiro e o melhor biógrafo de Santos-Dumont, descreve em
preciosos detalhes o combate que se travou, inusitadamente, numa nação famosa
por seu chauvinismo, entre uma imprensa honesta e atuando responsavelmente em
defesa da glória merecida de um estrangeiro e os poderes interesseiros e
xenófobos, que procuravam sabotá-lo, desqualificá-lo e desacreditá-lo.
Gondim, que é também o autor de uma das obras
mais importantes sobre o petróleo (O que sabe você sobre o petróleo?, de
1958), que, segundo Gilberto Vasconcellos, ainda não foi superada, concede a
Santos-Dumont não somente a glória de ter sido o inventor do aeroplano, mas
também a de ter “descoberto” o petróleo:
“Parece incrível que ninguém, a não ser esse
moço brasileiro, visse claro o futuro do petróleo. Ninguém, nem o próprio John
Rockfeller (maioral da geração de barões salteadores que construiu os Estados
Unidos), milionário carola que respondia na ocasião a vários processos de fraude
por haver lesado centenas de criaturas –, percebeu, como Santos-Dumont, que o
novo carburante mineral se tornaria no século XX o que o carvão de pedra se
tornara desde o segundo quartel do século XIX: um dos máximos instrumentos da
força e do progresso.”
Porém, no que toca a estas reflexões do
gazeteiro, a contribuição de Gondim à biografia de Santos-Dumont que mais
importa é a da batalha das idéias e o papel do jornalismo consequente não só
para o registro verídico da história, mas para a vingança da verdade coeva pela
qual aqueles jornalistas lutaram com bravura, inclusive despojando-se dos
impulsos tendenciosos e chauvinistas e esquivando-se das tentações do diabo
capitalista, que sempre se apresentam em tais ocasiões.
Os principais diários parisienses, como o
Les Temps, o L’Illustration, o Figaro, o Petit Journal,
entre outros, engajaram-se na luta a favor daquele solitário jovem que, com a
ajuda de alguns poucos operários e às próprias custas, competia com as nações
mais ricas e poderosas do planeta, a própria França, a Inglaterra, a Rússia, os
EUA e até o Japão, na corrida tecnológica para encontrar a solução do transporte
aéreo, que então se vislumbrava não mais como uma perspectiva visionária, mas
como uma realidade concreta, fosse através do mais-leve ou do
mais-pesado-que-o-ar.
Gondim cita jornalistas da estatura de
Maurice Talmeyr, Adrien Hébrard (editor do Les Temps e conhecido como “o
informadíssimo Hébrard”), Georges Goursat (também caricaturista e artista
plástico), Francois Peyrey, além de fotógrafos e cinematógrafos (incluindo os
irmãos Lumière) e toda uma geração de jornalistas e comunicadores irredutíveis
formados na tradição combativa de um jornalismo que se estruturara desde o
século anterior nas penas imortais de gênios como Balzac, Victor Hugo, Zola,
Anatole France, para só citarmos alguns. Enfrentando com coragem o pesado
lobby dos interesses políticos e financeiros que queriam para si as patentes
e privilégios das invenções que viabilizariam a aeronáutica e mudariam o mundo,
acompanharam, passo a passo, toda a trajetória do jovem gênio brasileiro naquela
década de invenções e descobertas, apoiando-o e conquistando para ele e seus
propósitos desinteressados a opinião pública nacional e até a mundial. As
coberturas dos jornais franceses transcenderam as fronteiras nacionais e se
espalharam por todo o mundo; Santos-Dumont tornou-se um nome internacional entre
os mais celebrados de sua época.
O volumoso dossier que as reportagens desses
jornalistas geraram pelas matérias publicadas e não publicadas sobre aqueles
fatos constitui-se num acervo documental de tal ordem que deixa sem qualquer
seriedade a discussão que tente contestar a verdade histórica que se consagra,
sem margens para dúvidas, nesta sentença inscrita em mármore no marco da praça
de Bagatelle:
LE 12 NOVEMBRE 1906
SOUS LE CONTROLE DE L’AEROCLUB DE FRANCESANTOS-DUMONT A ÉTABLI LES PREMIERS
RECORDS D’AVIATION DU MONDE DURÉE 21s 1/5 DISTANCE 220m
Este é o registro do celebérrimo vôo do 14
Bis. Mas o primeiro aeroplano a voar no planeta Terra seria fruto do projeto
nº 19 de Santos-Dumont, iniciado em 1907, saído de um insight do inventor
após várias tentativas frustradas de aprimoramento do 14 Bis, incluindo
dois projetos de helicóptero que foram também descartados.
O projeto vitorioso foi posto em operação no
início de 1908. Desde então, o Libelulle e o Demoiselle, nos dois
apelidos que lhe deram os parisienses, o primeiro para o modelo nº 19 (por causa
da cauda feita de uma só vara de bambu) e o segundo para os modelos aprimorados
de nº 20 e nº 21 (pela delicadeza dos designs), passaram a ser parte do
dia-a-dia dos céus parisienses. De tal forma que se tornaram os primeiros
veículos automotivos produzidos em série (foi Santos-Dumont quem inventou a
produção em série e não Henry Ford, como se pensa por aí), fabricados e
comercializados nas firmas Clement-Bayard (75 exemplares) e R. Dutheil, R.
Chalmers & Co (60 exemplares).
Depois, Santos-Dumont os aprimorou ainda mais
e publicou todo o projeto, nos mínimos detalhes, na revista norte-americana
Popular Mechanic, autorizando a produção ilimitada a quem a desejasse. Foram
produzidos milhares de exemplares em todo o mundo e, até os anos 1960, o Aero
Clube de Paris ainda mantinha um concurso anual para premiar a melhor réplica do
Demoiselle que fosse construída no ano anterior.
Nesta aeronave, desde a sua primeira versão,
estão presentes os fundamentos básicos (características elementares) de todos os
aeroplanos que a ela se seguiram e são produzidos até os nossos dias, a saber: a
decolagem autônoma, a sustentação com asas de perfil aerodinâmico, o baricentro
(centro de gravidade) em posição estável, os três comandos aerodinâmicos básicos
(leme e profundor traseiros e aileron nas pontas das asas), o cockpit em
localização dianteira para pilotagem em posição sentada e o trem-de-pouso com
rodas pneumáticas. A propulsão por motor de combustão interna a petróleo, apesar
de esmagadoramente dominante nas gerações posteriores de aeroplanos até os
nossos dias, em particular nos de pequeno porte, não é obrigatória e pode variar
para turbinas e outros tipos de motores acionados por diferentes combustíveis.
Confirma-se assim, também na aeronáutica, a
tese filosófica lembrada na gazeta passada. Todo aeroplano pilotado pelo homem
de ontem, de hoje e de sempre, ou possui todas as características elementares do
primeiro aeroplano construído pelo homem, o Demoiselle, ou não é um
aeroplano.
O 14 Bis só possuía a primeira e a
última dessas características elementares, ou seja, a decolagem autônoma e o
trem-de-pouso com rodas pneumáticas. Quanto às demais, a sustentação era dada
por asas de estruturas cúbicas celulares (o papagaio chinês), só possuía
dois comandos aerodinâmicos (leme e profundor) numa só estrutura cúbica celular
dianteira, a nacelle (usada em dirigíveis) tinha localização traseira
para a pilotagem em pé, e o baricentro era instável (o equilíbrio e o comando
lateral eram dados pelo piloto, movimentando seu corpo).
O Flyer, atribuído aos irmãos Wright,
que só foi visto pela primeira vez “voando” uns 30 a 60 metros em linha reta, no
final de 1908 - quando Santos-Dumont, ao comando de seu Demoiselle, já
fazia visitas de surpresa a propriedades de amigos nos arredores de Paris,
percorrendo em 15 minutos de vôo distâncias que carruagens levavam três horas e
meia -, não possuía nenhuma dessas características elementares. Decolava
catapultado por uma geringonça chamada “Pylon”, que exigia o concurso de
uns doze homens bem fortes para armá-la, e o piloto comandava a traquitana
“voadora” deitado de bruços no centro da estrutura do tipo celular (que dava
sustentação aerodinâmica ao conjunto) para conseguir a estabilidade do
baricentro e, ao mesmo tempo, exercer, movimentando seu corpo, o comando
lateral. Pousava sobre esquis.
Este gazeteiro é autor de um livro em forma
de roteiro cinematográfico editado em 1995, com tiragem limitada, intitulado
Dans L’Air – A via Santos-Dumont, que pode ser encontrado na íntegra no
seguinte endereço internético: http://marioobras.blogspot.com/2009/04/1995-ficcao.html
A obra culmina mais de vinte anos de estudos
e pesquisas sobre o tema e este autor crê, com segurança, que, se não fossem a
valentia e a honestidade profissional dos jornalistas que acompanharam as
façanhas do nosso gênio da aeronáutica, é possível que Santos-Dumont não
chegasse sequer ao 14 Bis e, consequentemente, ao insight que o
levou a projetar, construir e voar o primeiro aeroplano da história.
Não é possível sabermos o quanto isto
retardaria a evolução tecnológica da aeronáutica, mas apenas para termos uma
noção das possibilidades, o próximo insight decisivo para a aeronáutica
somente ocorreria em 1939, no gênio do projetista russo Igor Sikorsky, ao
“achar”, de estalo, a hélice traseira estabilizadora que tornaria possível a
construção do helicóptero imaginado quase 400 anos antes por Leonardo Da Vinci,
e cuja solução foi tentada ao longo de todos esses anos, sem sucesso, por vários
outros gênios inventores, incluindo Santos-Dumont.
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