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A casa da Mãe Joana do Banco Central
LUÍS NASSIF
No final do
ano passado, em pleno burburinho da crise, um diretor do Banco Central deu uma
entrevista em “off” alertando que, se a Fazenda decidisse tomar qualquer medida
para conter fluxos de capital, a diretoria do banco se demitiria em bloco.
Na ocasião, sugeri que a Polícia Federal abrisse um inquérito e processasse o
irresponsável que se escondia atrás do sigilo de fonte para cometer essas
irresponsabilidades.
O BC atua em
área de alta sensibilidade a notícias e a boatos. Exige de seus diretores
maturidade, responsabilidade, espírito público. Mas não ocorre. A extrema
auto-suficiência do banco acabou consolidando em sucessivos diretores a idéia de
que só devem prestar contas ao mercado.
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Meses atrás,
quando o BC foi instado a compor reservas para reduzir a volatilidade do dólar,
outra declaração irresponsável, desta vez do diretor Mário Torós em “on”,
afirmando que a compra de reservas não segurava a queda do dólar, praticamente
induzindo o mercado a apostar na manutenção da queda do dólar.
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As atas do
Copom (Comitê de Política Monetária) são outra forma de indução do mercado, não
para reduzir mas para manter os juros elevados. A última apontou riscos
inflacionários possíveis, mas não prováveis, para o próximo ano. Não há nenhuma
garantia, nenhuma certeza, apenas a análise da evolução da demanda, sem levar em
conta o impacto antiinflacionário das tarifas, do câmbio. Simples assim. No
momento seguinte, o mercado estava apostando em inflação maior. Hoje, a pesquisa
Focus indicava que o mercado “aposta” na inflação de 2010 batendo no centro da
meta.
Não existe
rigor científico, modelitos, planilhas que justifiquem essa aposta. No fundo, o
que o mercado faz apenas é apostar em qual será o cenário em que o BC aposta. É
o próprio banco induzindo a uma alta nas expectativas de inflação para
justificar a manutenção ou elevação dos juros.
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Não se fica
nisso. Na semana passada, em duas matérias no “Valor Econômico”, o misterioso
diretor em “off” – que é o Torós ou o Mário Mesquita – valentemente (porque
protegido pelo abuso do “off” por parte dos jornalistas entrevistadores)
despejou críticas contra a introdução da cobrança de IOF sobre os investimentos
externos em bolsa e na renda fixa.
Disse que
haveria um desestímulo ao mercado de capitais. Mesmo que houvesse, qual a
responsabilidade do BC sobre o mercado de capitais? Nenhuma. Esse irresponsável
usou o nome do BC – caso contrário sua afirmação não teria nenhuma relevância –
para investir contra uma decisão de governo, obrigando o próprio BC a uma nota
oficial.
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Nenhuma medida
contra esses descalabros verbais continuados, contra uma indisciplina óbvia, que
não seria aceita em nenhum outro escalão da República, contra um lobby
escancarado de quem não entendeu os novos tempos.
A cada
entrevista em “off”, a cada indução ao aumento dos juros, o país perde nas
contas públicas, perde no crescimento, embaralha as exportações, embaralha a
capacidade das empresas de definirem taxas de retorno de seus investimentos (já
que a volatilidade do câmbio atrapalha).
Está na hora
de se dar um basta nessas leviandades.
Reproduzido
do Portal Luís Nassif.
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