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Ministério
Público: tráfico domina em São Paulo e ação policial é ineficiente
Um levantamento elaborado pelo Grupo de
Atuação Especial de Repressão e Prevenção aos Crimes Previstos na Lei
Antitóxicos (Gaerpa), do Ministério Público Estadual, divulgado há duas semanas,
diz que São Paulo vem perdendo a guerra contra as drogas e que a ação policial é
ineficiente no combate ao tráfico. O relatório, que cobre o período entre 2007 e
o primeiro semestre deste ano, aponta que o Departamento de Narcóticos da
Polícia Civil retirou apenas 4 quilos de maconha das ruas durante seis meses,
enquanto os traficantes manteriam presença em 92 dos 95 bairros da capital.
Segundo o Gaerpa, nove em cada dez
traficantes são presos com menos de 1 quilo de maconha, 500 gramas de cocaína ou
50 gramas de crack. Uma única apreensão de crack no Jabaquara supera a soma das
mais de 200 feitas em Santa Cecília, nova concentração de dependentes da droga,
depois das intervenções na cracolândia.
O secretário executivo do Gaerpa, promotor
Marcelo Luiz Barone, diz que a polícia perde tempo prendendo pequenos
traficantes e o órgão repressor, o Denarc, não funciona como deveria. “A polícia
não sabe onde atacar, atira para tudo quanto é lado e de vez em quando acerta”,
afirmou.
As recentes notícias de que está prestes
acontecer uma guerra entre o Terceiro Comando da Capital (TCC) e seu rival
Primeiro Comando da Capital (PCC) confirmam que o crime organizado ganhou espaço
no estado, sem ser molestado. Segundo matéria do Estado de S. Paulo, uma carta
apreendida por agentes, em maio, no Centro de Detenção Provisória 2 (CDP) do
Belém (na Zona Leste), dominado pelo PCC, diz que os líderes do TCC introduziram
membros da facção fluminense ADA (Amigos dos Amigos ) em São Paulo para
enfrentarem o PCC e disputarem seus pontos de drogas. De acordo com a matéria,
integrantes da ADA - que devem estar se sentindo sem espaço no Rio por causa da
ação do governo daquele estado - já estão organizados nas penitenciárias e
presídios paulistas, unidos ao TCC, sem que até agora fosse tomada qualquer
medida de envergadura para coibir suas ações. |