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Deputado Federal Vicentinho (PT-SP) denuncia
precarização:
“Terceirizações da atividade-fim derrubam
salários em até 50%”
De acordo com parlamentar, terceirização também
resulta em redução fraudulenta de custos com a
subordinação direta e pessoal dos empregados às
empresas contratantes
A terceirização é um instrumento que precariza
as relações de trabalho, reduz salários e
prejudica os trabalhadores”, afirmou o deputado
Vicentinho (PT-SP), em entrevista ao HP, nesta
quarta-feira. O deputado falou sobre seu projeto
de lei (1.621/07), que proíbe a terceirização
nas atividades-fim das empresas. “O que nós
queremos é que não se terceirize tudo. Na
produção de um carro, por exemplo, a
atividade-fim da montadora é construir carro,
então ela não pode terceirizar o serviço de
torneiro mecânico. Assim como uma empresa de
ônibus não pode terceirizar o motorista”,
explicou, destacando que trabalhadores
terceirizados recebem salário 50% menor.
De acordo com Vicentinho, “no Brasil, não existe
uma legislação específica que regule a
terceirização”. Ele explica que “a Súmula 331 do
TST é hoje a principal referência jurídica no
assunto. A referida Súmula estabelece que a
contratação de mão-de-obra por empresa
interposta é ilegal, à exceção do trabalho
temporário, serviço de vigilância,
conservação/limpeza e os serviços especializados
ligados à atividade-meio da tomadora”. No
entanto, prosseguiu, “nos últimos anos, a
terceirização tem avançado das atividades de
apoio para áreas habitualmente relacionadas à
atividade principal da empresa. A suposta
redução de custos tem sido acompanhada muitas
vezes de diversos problemas trabalhistas, entre
os quais: redução de postos de trabalho; redução
de remuneração e benefícios, incremento de
jornadas; insalubridade; aumento de acidentes de
trabalho; redução fraudulenta de custos, com a
subordinação direta e pessoal do empregado
terceirizado à empresa contratante; ausência de
responsabilidade subsidiária e solidária da
empresa contratante, entre outros”, afirma.
Em apoio ao projeto, as centrais sindicais estão
ampliando a mobilização pela aprovação do
documento. Ao mesmo, as entidades estão
denunciando outro projeto que trata da
terceirização, e que também está em tramitação:
o PL 4330/04, do deputado Sandro Mabel, que é
baseado no PL 4302/98, do FHC, retirado de
tramitação pelo presidente Lula. O projeto
4330/04 não limita os serviços que podem ser
destinados a uma empresa terceirizada, e também
não determina que as empresas que terceirizam os
serviços sejam responsáveis pelas obrigações
trabalhistas.
Para Denise Motta Dau, secretária de Relações do
Trabalho da CUT, o projeto do deputado
Vicentinho “é um contraponto aos projetos
patronais que visam ampliar a terceirização e
institucionalizar um padrão rebaixado de
direitos”. “Necessitamos de uma regulamentação
no sentido de garantir igualdade entre os
terceirizados e os contratados diretamente,
assim como precisamos estabelecer a
responsabilidade solidária das empresas
tomadoras pelos direitos trabalhistas dos
trabalhadores das prestadoras de serviço”,
afirmou. |