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Obras da
Claro são flagradas com trabalho semi-escravo
O Ministério do Trabalho encontrou dezoito
trabalhadores em condições de trabalho, moradia e higiene considerados
“degradantes” e semelhantes ao regime de escravidão, em obras da companhia
de telefonia Claro, em Vila Velha (ES). O grupo de operários, aliciado no
Norte do Rio de Janeiro, que atuava na escavação de canaletas, por onde
passariam cabos óticos da operadora de celular, estava desde o dia 27 de
setembro sem receber qualquer valor ou abono pelo serviço.
O grupo foi recrutado a pedido da subempreiteira
Dell Construções, que foi contratada pela multinacional Relacom Serviços de
Engenharia e Telecomunicação, sendo que essa última prestava serviços à
Claro.
A subempreiteira alugou um de galpão para alojar
os empregados, no bairro Cobilândia, onde eles dormiam em colchonetes no
chão. No galpão havia somente um banheiro para todos e não tinham itens de
higiene pessoal. Os trabalhadores improvisaram uma cozinha no onde as
refeições eram cobradas. A subempreiteira não fornecia água potável, nem
equipamentos de proteção individual (EPIs).
Alcimar Candeias, o auditor fiscal do trabalho
da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE/ES) que coordenou a ação da
fiscalização, explicou que nos primeiros dias de trabalho, as vítimas
caminhavam cerca de 3 km para chegar até o local da escavação, na Rodovia
Carlos Lindenberg. “Com a reclamação dos trabalhadores por causa do longo
trajeto, a empresa alugou uma caçamba. Achando que estavam resolvendo uma
situação, na verdade estavam colocando em risco a vida dos empregados”.
Segundo o auditor “aquilo que deveria ser decente e seguro para eles não era
e constatamos em paralelo que eles foram arregimentados ilegalmente no Rio
de Janeiro por uma subempreiteira que vem fazendo trabalho de cabeamento
para essa empresa de telefonia celular”. |