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Israel quer
nova Convenção que
legalize os seus crimes em Gaza
Declaração
após reunião do ministério de Netaniahu informa que Israel fará “campanha
mundial para mudar lei internacional” ao invés de investigar e punir
responsáveis pelos crimes
A
resposta do primeiro-mini-
stro, Biniamin Netaniahu à aprovação do informe redigido pelo juiz judeu
sul-africano, Richard Goldstone, pelo Conselho do departamento de Direitos
Humanos da ONU sobre os crimes cometidos pelo governo de Israel em Gaza, foi
de fato perspicaz: ao invés de investigar os crimes e punir os agressores,
basta mudar a lei internacional.
Conforme a declaração ao final da reunião de seu gabinete que discutiu o
informe da ONU e pedido de investigação e punição, Netaniahu “instruiu os
organismos relevantes a considerar uma campanha de nível mundial para
promover emendas à lei internacional”.
A lei que Netaniahu – sucessor de Ehud Olmert, que comandou o massacre -
quer mudar, trata-se de nada menos que a Quarta Convenção de Genebra, também
denominada Convenção Para Proteção de Civis em Tempos de Guerra. Convenção
que foi assinada em 12 de agosto de 1949, com base na análise e no repúdio
dos crimes cometidos pelos nazistas contra populações civis durante a
Segunda Guerra Mundial.
Ou seja, para agredir palestinos, o melhor caminho é legalizar o genocídio.
Assim não havendo mais lei, não há mais crime nem criminosos.
Pela lógica de Netaniahu, para esconder o sangue de civis - na maioria
mulheres, idosos e crianças – que empapam as mãos dos oficiais e soldados do
seu exército de ocupação -, o genocídio tem de ser descriminalizado. Ou
seja, crimes como o Holo-causto, tão citado por todos os sionistas para
justificar a criação do Estado de Israel, deixam de ser crimes. Mas talvez
na cabeça de Neta-niahu isso não seja problema, pois provavelmente ele quer
uma convenção em que só os israelenses possam legalmente cometer geno-cídio
já que alegam “combater o terrorismo”.
Aliás, o que não faltou em Gaza foi terrorismo. No dia 15 de dezembro de
2008, o chefe de Missão da ONU, Richard Falk (judeu norte-americano)
declarou o cerco a Gaza, que durava desde junho de 2007, (restringindo os
1,5 milhão de habitantes de itens básicos, como remédios, eletricidade,
alimentos) um “crime contra a Humanidade”. Um ano e meio tentando matar pela
fome os moradores de Gaza.
Ao invés de levantar o cerco, 12 dias após a declaração de Falk, no dia 28,
o exército israelense passou ao massacre generalizado. Realizou um
bombardeio com aviões e mísseis – mais de 100 toneladas de bombas - que
assassinou 200 civis. Atingiu hospitais, mesquitas e até uma escola primária
patrocinada pela ONU com bombas de fósforo branco. O bombardeio durou 22
dias.
Aos pedidos da ONU e de inúmeros chefes de Estado e centenas de milhares de
manifestantes pelo mundo afora, inclusive em Tel Aviv de parar a
carnificina, o então primeiro-ministro, Edud Olmert respondia: “agora é
tempo de guerra e isso vai durar o tempo necessário”.
O “tempo necessário” foi o suficiente para tirar a vida de 1.400 palestinos,
deixou 5.400 feridos, destruiu 22.000 prédios.
Tudo sob a benção de comandantes e rabinos do exército que instigavam os
soldados a caminho do “front” a agirem “sem piedade”.
Do lado israelense, sob fogo do tão denunciado “terrorismo palestino”, no
mesmo período houve 13 mortes, dos quais três civis. Também, do lado
israelense, durante o ano uma casa foi danificada, na cidade de Sderot, no
mês de março.
Referir-se a qualquer esboço de resistência à ocupação, que já dura mais de
40 anos, com seu calvário de privações, humilhações, prisões, assassinatos
em massa e assalto a terras como ‘terrorismo’ resolve a questão.
Fazer os criminosos pagar pelos seus crimes é, portanto, tentar
“deslegitimar” Israel. Como afirmou Netaniahu a questão é “deslegitimar as
atuais tentativas de deslegitimar Israel”. Já o ministro da “Defesa” correu
em defesa dos assassinos: “temos que dar ao Exército todo o suporte para que
tenha liberdade de ação”. O do exterior, Avigdor Lieberman, que pouco antes
do bombardeio advogava um bomba de Hiroshima sobre Gaza, chegou a ser
cândido. “O apoio palestino ao informe levanta a questão real sobre suas
verdadeiras intenções: o estabelecimento do Estado palestino ou a destruição
do Estado de Israel?”, declarou.
Como disse o professor de Ética Profissional na Universidade de Tel Aviv,
Asa Kasher, Prêmio Israel de filosofia: “Não se justifica colocar em perigo
a vida de um soldado israelense, para evitar a morte de civis que convivem
com terroristas” e ainda, “me interessa mais a vida de nossos soldados que o
bem estar e a dignidade dos palestinos”. |