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Fechamento de estatal no México provoca apagões
ONa última quarta-feira, vários bairros do
Distrito Federal, Cidade do México, e dos estados de Hidalgo, Puebla e
Morelos sofreram com persistentes cortes de energia elétrica, registrou
reportagem do jornal La Jornada. “Na terça-feira, em Naucalpan, centenas de
fábricas viram-se incapacitadas de operar ante a falta de eletricidade,
zonas desse e de outros municípios sofreram também apa-gões prolongados”,
informou o diário.
“Nas últimas duas semanas proliferaram os cortes de energia nas regiões que
a empresa abastecia”, declarou Martín Esparza, secretário-geral do Sindicato
Mexicano dos Eletricitários, SME. “Advertimos que isso aconteceria”,
acrescentou.
O governo de Felipe Calderón ocupou com
tropas policiais e militares, no dia 10, a estatal Luz e Força do Centro,
LYFC, decretando depois sua extinção, com o argumento de que era ineficiente
e não se auto-sustentava. Demitiu, mais de 44 mil trabalhadores e tentou
fechar o SME, um dos sindicatos mais combativos e atuantes do país.
“Não hão faltado vozes que, sem fundamento
algum, atribuíram tais situações a supostas ações de sabotagem dos
integrantes do Sindicato Mexicano de Eletricitários, apesar de que essa
organização sindical, ainda que colocada pelo governo federal na perspectiva
da desaparição e do desemprego massivo pa-ra seus integrantes, tem dado
provas de sensatez e tem direcionado suas ações de protesto por vias
pacíficas e legais”, afirmou o jornal.
Essas insinuações contra os eletricitários
escondem a razão apontada por especialistas e pela oposição para os
constantes cortes de luz ocorridos nas últimas duas semanas: a
impossibilidade de suprir os trabalhadores da LYFC nas suas funções e as
falhas dos funcionários da Comissão Federal de Eletricidade, CFE, empresa
destacada para operar a rede que atende a região mais habitada e
industrializada do país. “Essa rede tem se tornado labiríntica, complexa e
obsoleta não por vontade dos trabalhadores do SME, mas por clara vontade
governamental de sucatear a entidade distribuidora de energia”, denunciou o
sindicato, explicando que é impossível para o pessoal de outra empresa, de
uma hora para outra, sem preparo, acionar uma estrutura cheia de problemas e
características não conhecidas. |