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Empresários e
trabalhadores criticam decisão do Copom de interromper queda dos juros
As entidades empresariais e as centrais
sindicais criticaram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco
Central em manter a taxa Selic em 8,75% ao ano. Com isso, a taxa de juros reais
do Brasil passou do quinto para o quarto lugar, em 4,5% ao ano. A média entre as
40 maiores economias é de 1,2%.
O presidente da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou que “a interrupção na trajetória
de queda dos juros é inaceitável”. O dirigente da CNI disse ainda que a decisão
aponta que o BC acredita que a crise foi superada. “Mas essa crença não condiz
com a realidade. A indústria ainda sofre os efeitos recessivos que a crise
provocou”, afirmou Monteiro Neto.
O dirigente da CNI observou que a inflação está
dentro da meta de 4,5%. “Não há, portanto, justificativa para não prosseguir com
os cortes nos juros. As taxas brasileiras permanecem muito acima das
internacionais, o que contribui para a valorização do real diante do dólar e
retarda o processo de recuperação da atividade industrial. Portanto, a decisão
do Copom contribui para que a recuperação seja vagarosa, o que traz enormes
prejuízos para a produção e o emprego do país”, finalizou Monteiro Neto.
A Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) manteve a crítica à condução da política monetária. “O Copom não
percebeu – pelo menos desde novembro do ano passado ao recrudescer a crise
internacional –, que estamos perdendo preciosos pontos no Produto Interno Bruto
(PIB), empregos e renda na sociedade, por não abaixar os juros praticados no
Brasil a uma realidade possível e, portanto, responsável”, diz a nota da
entidade.
CENTRAIS SINDICAIS
As centrais sindicais consideraram que a manutenção dos juros altos não
condiz com a necessidade da retomada do crescimento econômico e para geração de
emprego. “A decisão do Copom frustra os trabalhadores, que ansiavam por uma
queda drástica na taxa básica de juros como estímulo para a economia neste
quarto trimestre”, destacou o presidente da Força Sindical, Paulo pereira da
Silva (Paulinho). “Parte do parque industrial continua ociosa e os membros do
Copom permanecem insensíveis com esse setor, que gera renda e emprego”.
“A crise não teria entrado no Brasil se os juros
fossem reduzidos de forma acelerada e significativa e os investimentos do BNDES
fossem direcionados às empresas nacionais não monopolistas. Da mesma forma,,para
retomarmos o crescimento econômico são necessárias as duas medias. Ao manter os
juros em um patamar bem superior à média internacional, o BC joga água no moinho
da desaceleração econômica”, frisou o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de
Oliveira (Bira).
Em nota assinada por seu presidente, Wagner
Gomes, “a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) rechaça o
falso argumento do BC e repudia a política monetária conservadora, que mantém o
país entre os primeiros colocados no ranking mundial dos juros reais altos”.
Para a CTB, “a manutenção da taxa Selic a 8,75% premia a usura, alimenta a
ganância dos especuladores e contraria frontalmente os interesses da classe
trabalhadora”.
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