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Resposta a uma
infâmia: a carta de Beto Almeida à “IstoÉ”
Em sua edição da semana passada, a revista “IstoÉ” publicou um texto
difamatório, calunioso e, de resto, repugnante, atacando o jornalista Beto
Almeida, presidente da TV Cidade de Brasília, conselheiro da Telesur e
colaborador do HP. Beto Almeida enviouà revista a sua resposta. No entanto, ela
não foi publicada. Sendo assim, para quenossos leitores tomem dela conhecimento,
reproduzimos, na íntegra, a sua carta
Ao jornalista
Octávio Costa
Sr. Diretor de
Redação da Revista “IstoÉ”
Sucursal Brasília
Nesta
Na forma da
Constituição Federal, art. 5º, inciso V - é assegurado o direito de resposta,
proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem
-, venho solicitar direito de resposta, diante da matéria produzida pelo
jornalista Claudio Dantas Sequeira, intitulada ?O Lobista de Chávez?, publicado
na edição de 22.08.09, página 46, encaminhando para tanto o texto abaixo a fim
de que o mesmo seja publicado observando-se a mesma localização, espaço e
destaque.
Todo mundo nesse
país sabe o que eu faço, em que eu acredito, etc., há décadas. Nunca houve
dúvida sobre isso. Todo mundo sabe que eu sou conselheiro da Telesur. O
desconhecido aqui, o embuçado, não sou eu, mas esse elemento que me ataca - e,
com certeza, não gratuitamente. Não sei quem é, mas não é por acaso que não
conseguiu encontrar outra palavra, senão lobista, para me difamar. Portanto,
vê-se logo quem é o lobista.
Mas nem todos os
lobistas acham que se alguém defende uma causa nobre, não é porque acredite
nela, mas porque recebeu dinheiro para tal. É preciso, além de lobista, ser
pervertido para ver o mundo desta maneira.
Naturalmente,
existem lobistas do Departamento de Estado, das multinacionais e dos bancos -
aliás, certo tipo de escriba sempre está disposto a ser lobista de quaisquer
poderosos ou endinheirados que apareçam.
O que não existe é
lobista que defenda uma causa sem dinheiro, que prefira defender o povo e os
pobres e suas causas, em vez dos ricos e poderosos. Que prefira afrontar
monopólios e mercenários sem ganhar nada com isso. Que prefira ser expulso da
Universidade por uma ditadura, a calar diante das injustiças cometidas.
Minha atividade
profissional como jornalista concursado da TV Senado é oposta ao lobismo.
Cumpro, rigorosamente, os planos de trabalhos jornalísticos estabelecidos por
minha Chefia, realizando, diariamente, entrevistas sobre temas que versam sobre
política, economia, cidadania, arte e cultura, como se pode observar na
programação da emissora. É atividade largamente conhecida, própria da sua
natureza televisiva, pública, sujeita ao crivo crítico de todos, portanto,
oposta ao lobismo que opera nas sombras.
Não é verdade que
faço horas extras para defender interesses de outro país. Nem faço, nem recebo
horas extras, como também os interesses que defendo são os da Nação Brasileira,
seguindo o disposto na Constituição Federal. Vale lembrar que está na
Constituição Brasileira a objetivo de construir uma comunidade latino-americana
de países. Minhas funções como conselheiro da Telesur, atividade sem vínculo
empregatício ou remuneração, estão plenamente em sintonia com o descrito na
Constituição Brasileira relativamente à integração regional.
Também não é verdade
que divido minha rotina funcional no Senado. Cumpro integral e disciplinadamente
minha rotina de trabalho e a legislação específica do serviço público. E seu
resultado é visível.
O autor da suposta
matéria foi informado oficialmente pelo Senado da inexistência de restrição
legal e de incompatibilidade, mas não publicou. Como esta informação iria
demolir a sua “tese”, sonegou-a aos seus leitores. Seria o uso de “técnica
jornalística” malévola e antagônica ao espírito de missão pública que deve
caracterizar o jornalismo e a comunicação social? Como há um ano atrás já havia
feito artigo “acusatório” de igual teor, em outro veículo de imprensa, não
estaria revelando também - além da “técnica jornalística” amarronzada que levou
a revista a republicar coisa velha - talvez perseguição, talvez precariedade de
seu próprio caráter quando defrontado com a verdade objetiva dos fatos? Ou tudo
junto?
Não é verdade que eu
assinei convênio com o governo Requião, mas os executivos da Telesur sim
firmaram convênio de cooperação em serviços de som e imagem, ato rigorosamente
legal, seguindo o disposto constitucional de promover a integração da América
Latina.
Não é verdade que
uso meu e-mail no Senado em listas de discussões. Mas recebo diariamente muitas
dezenas de mensagens, respondo telespectadores, como profissional de comunicação
que sou. Uso exclusivamente o meu e-mail pessoal para listas de debates que,
ademais, fazem parte da atividade intelectual desempenhada por jornalistas.
Registro já ter constatado a presença de e-mails de autoridades e de
parlamentares nestas mesmas listas de discussões, tratando de temas como
televisão pública, tema diretamente ligado à atividade profissional que exerço.
De resto, vale dizer que são listas de debate público, próprias da democracia
ampliada pela internet, nas quais a liberdade de opinião é praticada. O certo é
que quem me ataca se opõe a isto.
Também não é
verdadeiro afirmar que viajo com freqüência à Venezuela, apenas eventualmente,
quando convidado para reunião dos conselheiros da Telesur, representando a TV
Comunitária de Brasília, a qual presido, também sem vínculo empregatício ou
remuneração. A finalidade é a integração informativo-cultural da América Latina
e dos países que compõem o hemisfério Sul. Esta posição coincide plenamente com
os ideais integracionistas consagrados na Constituição Brasileira, assumidos
plenamente como ação do Estado Brasileiro por meio de nossa política exterior,
cujos resultados, aliás, têm sido benéficos ao nosso povo, multiplicando e
diversificando relações econômicas, comerciais e culturais.
A matéria tenta
colocar em dúvida e enxovalhar o caráter voluntário desta função por mim
exercida, certamente porque seu autor deve medir o mundo pelo amargo desprezo
que nutre pelas causas solidárias e humanísticas. Já esta marca faz parte de
toda minha vida consciente. Seja quando voluntariamente estive presente nas
Brigadas Internacionais de Solidariedade à Nicarágua na década de 80, cumprindo
funções de produção, de educação, de informação, de prevenção em saúde, sem
qualquer remuneração.
Assim foi também
quando, presidindo o Comitê de Solidariedade ao Timor Leste - cuja
autodeterminação foi sempre defendida pela política exterior brasileira a partir
do Governo Sarney - estive naquela ilha longínqua para levar a solidariedade
brasileira, materializada na doação de centenas de livros e de uma Rádio
Comunitária hoje lá instalada. Por meio de livros e desta emissora, levamos a
presença solidária e cooperativa da nossa música e cultura e do nosso idioma
para o povo maubere, o que se reveste de enorme importância já que o idioma
português é um dos idiomas oficiais daquele país que integra a Comunidade de
Países de Língua Portuguesa, cuja cooperação vem sendo crescentemente
incentivada por nossa política externa há décadas. Toda esta atividade foi e é
rigorosamente voluntária, sem qualquer remuneração.
Para mim, assumir
causas solidárias e humanistas voluntariamente é apenas uma retribuição ao
investimento que o povo brasileiro fez na minha formação profissional, já que me
formei na universidade pública. É obrigação minha.
Assim, como
conselheiro da Telesur defendo os interesses maiores do Brasil, entre os quais o
de construir uma integração entre povos e países latino-americanos, para superar
a miséria e a desinformação, seguindo tendência hoje mundialmente consagrada,
como podemos observar na construção da União Européia. Há, sem dúvida, os que
trabalham contra esta unidade, contra esta cooperação, contra a tendência
moderna da solidariedade entre nações e que praticam um jornalismo de
desintegração. Pelos termos da matéria publicada, seu autor deve estar entre
eles.
Tivesse eu alguma
coincidência política com os golpistas de Honduras eu não estaria sendo
caluniado, difamado e injuriado como estou....
Como cidadão
brasileiro, exercendo o direito de opinião, defendi e defendo iniciativas que
promovam esta cooperação e solidariedade entre os povos. Desde o Mercosul,
quando nasceu, a sua consolidação e qualificação, e agora a Unasul, iniciativas
que entendo capazes de promover a prosperidade comum, o respeito à
autodeterminação e a paz. Minha atividade voluntária no âmbito da Telesur tem
este sentido e esta missão no plano comunicacional, para que os povos do sul
possam conhecer sua própria história, sua cultura, assumir como povos cultos e
bem informados o protagonismo de decidir soberanamente seu destino histórico.
Para mim basta a
felicidade de estar do lado certo desta luta, ao lado dos humilhados, dos
explorados, do lado da justiça, do lado dos que lutam contra qualquer forma de
opressão e embrutecimento aos seres humanos. Estarei com minhas causas até o fim
dos meus dias. Trata-se de um compromisso de uma vida inteira. Enquanto alguns
escribas ladram, a caravana da história passa....
Finalizando,
solicito o direito constitucional de resposta, com a publicação do texto acima
em edição com igual tiragem, tamanho e destaque, sem deixar de responsabilizar a
revista por qualquer prejuízo que eu e minha família venhamos a sofrer em minhas
atividades profissionais como servidor público, em virtude das inverdades
publicadas.
Carlos Alberto de
Almeida, jornalista
Bsb. 26.08.2009
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