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Dia da Pátria x submissão neocolonial demotucana
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CARLOS RAMIRO DE CASTRO*
Recentemente, durante o anúncio da proposta do
governo para o pré-sal, o presidente Lula
lembrou que, diante da magnitude e do potencial
das reservas petrolíferas, a descoberta da
Petrobrás significará "a segunda independência
do Brasil".
Aproveitamos o Dia da Pátria, 7 de setembro,
para refletir sobre as mudanças estratégicas que
estão em curso e as inúmeras possibilidades que
se abrem para a mobilização popular, fundamental
para a afirmação de um projeto nacional de
desenvolvimento efetivamente inclusivo, com
geração de emprego, distribuição de renda,
garantia de direitos e ampliação das conquistas.
Ao contrário dos anos neoliberais de FHC, de
abertura indiscriminada aos produtos
estrangeiros, desnacionalização/privatização,
desregulamentação e flexibilização das relações
trabalhistas, cada vez mais há uma orientação
voltada ao fortalecimento do papel do Estado na
dinamização e crescimento do mercado interno,
tidos como essenciais para combater os impactos
negativos da crise internacional.
Naturalmente, há uma batalha política e
ideológica em curso, onde defendemos que os
recursos destinados pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social deve fazer
jus ao nome e, além de priorizar as empresas
brasileiras, delas exigir contrapartidas sociais
como salário, emprego e direitos. A prática tem
demonstrado, pelo crescimento das remessas de
lucros das multinacionais às suas matrizes, que
tais empresas vêm agindo instintivamente, em
função dos interesses dos países centrais, sem
qualquer preocupação com o mercado brasileiro.
Basta lembrar, como advertiu o próprio
presidente Lula, do comportamento das montadoras
no final do ano que, irresponsavelmente, ao
primeiro espirro da economia dos EUA e da
Europa, demitiram massivamente, quase inoculando
o vírus da crise na economia nacional.
Devido à injeção de investimentos públicos, como
o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e
o Minha Casa, Minha Vida, à política de
valorização do salário mínimo, e a programas
sociais consistentes, nosso país vem conseguindo
enfrentar a epidemia econômica que varre países
que se tornaram presas do sistema financeiro
especulativo e da lógica neoliberal.
O relatório do FMI do mês de julho prevê queda
no PIB das economias dos países centrais: EUA
-2,6%; zona do Euro - 4,8, comandada pela
Alemanha com -6,4%, e Japão -6%. Vale frisar que
em relação ao relatório de abril, as previsões
de queda foram acentuadas, ao contrário da
propaganda midiática de "recuperação". Querem
nos vender o peixe de que a sua receita de
transferir recursos públicos para os monopólios
privados é a saída.
* É coordenador do Conselho de Administração e
Política de Pessoal do Estado de São Paulo e
vice-presidente da CUT-SP |