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Dia da
Pátria x submissão neocolonial demotucana (2)
CARLOS RAMIRO DE CASTRO*
Diferente de priorizar as exportações, a China e
a Índia, apostando no potencial do seu majestoso
mercado interno e na maior independência e
autonomia em relação aos países do epicentro da
crise, vêm nadando de braçada. A China cresceu
6,1% no primeiro trimestre, 7,9% no segundo e,
avalia o FMI, o país encerrará o ano com
crescimento de 7,5%, contra as projeções de 9%,
sustentadas pelo governo chinês. A Índia,
conforme o FMI, vai crescer 5,4%. Para o governo
indiano, 6%.
Em relação ao Brasil, o Fundo prevê queda de
1,3% do PIB em 2009, percentual contestado pelo governo federal, que
sustenta crescimento de 1%. No caso brasileiro, seja qual for o número
final, ele, desde já, aponta para a necessidade de pisarmos no acelerador,
reduzindo a taxa de juros - que se mantém como a quarta maior do mundo - e
pondo fim ao superávit primário, canalizando os recursos esterilizados na
especulação financeira para o desenvolvimento. Ou seja, em vez de engatar a
marcha à ré, como propõem e praticam demos e tucanos onde estão no poder,
investir no Estado indutor e na capacidade criativa do nosso povo.
Infelizmente, temos em São Paulo, devido à
triste combinação dos desgovernos Serra e Kassab, uma trincheira de
resistência do conservadorismo mais retrógrado, municiada pelo arsenal da
imprensa entreguista. Esta somatória tenta criar uma realidade virtual, com
desinformação e preconceito, fazendo o contraponto de direita às
transformações em curso.
Assim, na mesma semana, Serra defendeu o
adiamento da nova lei do pré-sal e o seu protelamento por 10 a 15 anos - a
fim de manter a lesiva prática tucana dos leilões das bacias petrolíferas
aos estrangeiros - e o PSDB confirmou a contratação de uma empresa texana,
concorrente da Petrobrás, para assessorar os parlamentares privatistas na
CPI contra a estatal.
Outro exemplo grotesco é a privatização dos
hospitais públicos e a redução do Sistema Único de Saúde em São Paulo, via
PLC 62/2008 de José Serra. Além de insanamente autorizar a entrega da
administração dos hospitais e equipamentos públicos a entidades privadas, o
projeto aprovado pela bancada de direita na Assembleia Legislativa, ainda
corta 25% do atendimento ao público, repassado à exploração dos Planos de
Saúde.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do
Estado de São Paulo (Apeoesp) também denunciou no 7 de setembro, durante o
Grito dos Excluídos, o sistema de promoção excludente que Serra tenta impor
ao magistério, desrespeitando o Plano de Carreira com critérios absurdos e
abusivos, enquanto as perdas salariais alcançam 27,5% desde março de 98.
A desvalorização dos serviços e dos servidores é
uma constante em desgovernos orientados pela bússola privada, daí o
descalabro do Estado mais rico da federação ter como marca registrada da
gestão a superlotação de salas de aula, as extensas jornadas de trabalho
impostas a professores e funcionários de escola, a ausência de programas de
formação continuada.
Da nossa parte, vamos continuar a caminhada
elevando voz e bandeiras por um Brasil independente, livre e soberano,
derrotando a submissão neocolonial demotucana.
* É
coordenador do Conselho de Administração e Política de Pessoal do Estado de
São Paulo e vice-presidente da CUT-SP |