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Governo vai cobrar IR de caderneta de poupança com saldo acima de R$ 50 mil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou
na terça-feira (15) que será encaminhada ao Congresso Nacional a proposta de
tributação das cadernetas de poupança com saldo acima de R$ 50 mil. Pelo
sistema elaborado pelo Ministério, será cobrada uma alíquota única do
Imposto de Renda de 22,5%, a partir de janeiro de 2010, caso seja aprovada
pelo Congresso até dezembro.
O desconto ocorrerá mensalmente na fonte, na
hora do deposto dos rendimentos. Caso o poupador tenha mais de uma conta e
elas ultrapassarem R$ 50 mil, a cobrança se dará na declaração anual do IR.
De acordo com Mantega, 99% da contas têm saldo
inferior a R$ 50 mil. “Os pequenos poupadores não serão taxados”, disse.
“Numa caderneta de poupança com valor de R$ 52 mil, somente será cobrado
imposto sobre os rendimentos de R$ 2 mil”, acrescentou.
Ao contrário da proposta divulgada em maio, a
taxa não estará vinculada à redução da taxa Selic. Naquela ocasião, Mantega
afirmou que a taxação seria progressiva e condicionada à queda da taxa
básica de juros abaixo de 10,25% ao ano. A cobrança do imposto seria para
impedir a migração de grandes investidores para a poupança. É bom registrar
que a Selic está em 8,75% ao ano e, segundo revelou Mantega, não ocorreu a
movimentação de aplicação dos fundos para a poupança: “Até o momento, ainda
não foi registrada uma migração mais forte de recursos dos fundos de
investimentos (que compram títulos do Tesouro Nacional) para a poupança”.
Não houve essa migração em massa pelo simples e
bom motivo que a taxa básica de juros no Brasil continua sendo uma das
maiores do mundo. Tanto assim, que o diferencial de juros externos e
internos tem sido fonte de atração de volumosos recursos em dólares,
sobrevalorizando o real. Mas, se não há vinculação com a Selic, qual a
necessidade, então, de cobrança de IR sobre os rendimentos da poupança?
Estudo do Ipea diz que o governo federal deixou de arrecadar R$ 1,817 bilhão
no primeiro semestre com a isenção fiscal para as montadoras. O instituto
calcula que redução do IPI no primeiro semestre teve um custo de R$ 559
milhões , considerando a elevação de receita com outros tributos federais
(R$ 1,258 bilhão).
Segundo o ministro Mantega, o governo deixou de
arrecadar entre 1% e 1,5% do PIB com as isenções em geral.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
disse que não se sabe o quanto será arrecadado com a taxação da poupança.
Estima-se que entre R$ 500 mil a R$ 1 bilhão.
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