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Para Celso Amorim, resistência a dar garantias em relação às bases americanas na
Colômbia é mau sinal
O
ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, criticou o
comportamento dos representantes da Colômbia na reunião da União das Nações
Sul-Americanas (Unasul), realizada na terça-feira, em Quito, no Equador. “Temos
um problema muito grave, pois a Colômbia não percebe o incômodo que essas bases
causam aos outros e não procura solucioná-lo”, afirmou o chanceler, ao comentar
a recusa da Colômbia em dar garantias de que as bases militares americanas que
serão instaladas em seu território não serão usadas em agressões aos países
vizinhos.
Celso Amorim disse que os membros da União das
Nações Sul-Americanas têm o direito a tomar decisões individualmente, mas
destacou que algumas dessas decisões poderiam “causar apreensão” na região. “Por
isso, nós temos insistido na questão da transparência, na criação de medidas de
confiança e nas garantias”, insistiu. Todos os países sul-americanos presentes à
reunião da Unasul solicitaram que a Colômbia apresentasse garantias formais de
que as bases americanas não representariam perigo de agressão a outros países. A
Colômbia, entretanto, manteve-se irredutível. Chegou a ameaçar retirar-se da
reunião.
Não só se eximiram de apresentar garantias como
o ministro das relações exteriores colombiano, Jaime Bermudez, exigiu a
notificação à Unasul de todos os acordos de cooperação nas áreas de defesa e
segurança. Cobrou ainda a inclusão de uma cláusula prevendo a anuência dos
países com quem os sul-americanos fizessem acordos. Neste caso, dos EUA.
A referência era clara ao acordo que prevê as
bases americanas em território da Colômbia. “Essa cláusula era inaceitável”,
afirmou Amorim. Para o representante brasileiro, os dois pontos “espelham a
resistência da Colômbia a ter uma posição totalmente aberta e transparente com a
região”. Diante do discurso do representante colombiano de que o acordo com os
EUA não representaria perigo de agressão aos países vizinhos, Amorim questionou:
“se vocês estão dizendo que nos dão garantias, por que não as escrevem?”.
O representante brasileiro também criticou a
estratégia da Colômbia de procurar desviar o foco das discussões sobre as bases
americanas e incluir na agenda questionamentos sobre acordos de defesa que
incluem compra de armas e aviões por parte das Forças Armadas do Brasil e da
Venezuela. “Os colombianos falaram em corrida armamentista. Mas não temos
nenhuma dificuldade em mostrar tudo. A presença estrangeira em território de um
país sul-americano é diferente da compra de armas”, rebateu o chanceler Amorim.
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