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“Grupo de Yeda era muito ganancioso”, diz lobista tucano ao Ministério Público
O
ex-coordenador da campanha de Yeda Crusius (PSDB), governadora do Rio Grande do
Sul, Lair Ferst, relatou em depoimento, em abril deste ano, ao Ministério
Público Federal no Estado, que numa conversa que teve com o diretor-presidente
do DETRAN-RS, Flavio Vaz Netto, este lhe informou que o valor da propina
repassada para ela no primeiro mês da sua gestão foi de R$ 170 mil e que o grupo
da governadora tucana estava exigindo um valor maior nos outros meses e que o
“grupo do Palácio” (como ele se refere ao setor próximo de Yeda) “era muito
ganancioso, sempre queria mais”.
Lair Ferst relatou que teve anteriormente uma conversa reservada com a
governadora, no Palácio Piratini, no Gabinete da Ala Residencial. Segundo Lair,
a governadora lhe disse que o grupo do DETRAN – o pessoal que estava articulando
a troca da Fatec pela Fundae para gerir os exames das habilitações – estaria lhe
oferecendo R$ 50 mil por mês de propina e que ela comentou que achava muito
pouco e por isso não iria aceitar a proposta, deixando entendido que se não
aumentassem a oferta poderia acabar com todo o esquema.
Nesta mesma conversa, segundo Lair, ele alertou a governadora do problema que
estava acontecendo no DETRAN com a troca das fundações. No relato de Lair ao MPF,
Yeda lhe respondeu “textualmente” que “não daria nada de graça para ninguém” e
que estava acompanhando tudo de perto.
Lair conta que após reclamar das mudanças de fundações e das propinas foi
procurado pelo secretário-geral da governadora, Delson Martini, que lhe ofereceu
R$ 70 mil por mês para não denunciar o esquema no Detran.
Lair e Vaz Netto foram dois dos presos na Operação Rodin da Polícia Federal, em
novembro de 2007, desencadeada para apurar a fraude e os desvios de R$ 44
milhões do DETRAN. Além de ser um dos coordenadores da campanha de Yeda, Lair
era integrante do diretório estadual do PSDB.
Segundo a denúncia do MPF à Justiça Federal, a fraude foi operada pelas duas
fundações ligadas à UFSM (Fatec e Fundae), contratadas pelo Detran sem licitação
e a preços superfaturados para fazer avaliação de candidatos a motoristas entre
os anos de 2003 e 2007 (Lair tinha influencia na Fatec, contratada desde 2003
pelo DETRAN; o ex-marido de Yeda, Carlos Crusius foi quem trabalhou pela
contratação da Fundae).
Essas fundações subcontrataram empresas de consultoria e tecnologia para
executar o serviço, algumas ligadas aos acusados, particularmente a Lair Ferst,
que resolveu abrir o esquema que funcionava na autarquia para tentar limpar sua
barra.
A presidente da CPI que investiga a governadora tucana, Stela Farias (PT),
divulgou, na segunda-feira, 24 trechos de escutas telefônicas entre integrantes
do esquema. Segundo a Polícia Federal (PF), as gravações mostram as negociações
para a divisão dos recursos obtidos através da fraude. As gravações divulgadas
não estão sob segredo de Justiça. |