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Toyota e Honda: trabalhadores obtêm aumento real
de 5,32%
O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e
Região conquistou o reajuste após paralisar a
produção por 24 horas contra a proposta inicial
das montadoras que oferecia 2% de aumento real
Os metalúrgicos das montadoras Honda e Toyota,
localizadas em Sumaré e Indaiatuba, no interior
de São Paulo, conquistaram na quarta-feira
reajuste de 10% - reajuste real de 5,32% mais a
inflação medida pelo INPC de 4,44%.
Os 3,5 mil trabalhadores da Honda e 2 mil da
Toyota paralisaram a produção por 24 horas na
segunda-feira logo após recusarem a proposta
inicial do Sinfavea (sindicato das montadoras)
de 2% de aumento real e mais abono de R$ 1,5
mil. “Não conhecemos ainda no Brasil um acordo
com reajuste real maior”, comemorou Derci Lima,
diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de
Campinas e Região, filiado à Intersindical.
Além do aumento, a mobilização dos trabalhadores
em campanha salarial garantiu piso salarial de
R$ 1.275,00 e avanços nas cláusulas sociais,
como estabilidade após licença maternidade de
seis meses e auxílio-creche para cada filho de
até 3 anos e meio no valor de 20% do piso
salarial.
Na Grande Curitiba, também na quarta-feira, os
seis mil metalúrgicos das montadoras
Renault-Nissan e Volvo garantiram, após
paralisações, 3% de aumento real, totalizando
reajuste de 7,57% mais um abono de R$ 2 mil para
cada trabalhador pago ainda esta semana.
Se comparado com a primeira proposta apresentada
pelas montadoras no início da mobilização, o
acordo aprovado pelos trabalhadores é 152%
maior, informou o Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A oferta inicial injetaria R$ 15 milhões na
economia do Paraná. A proposta aceita pelos
metalúrgicos vai injetar R$ 37 milhões.
“Importante ressaltar que caso aceitássemos a
primeira proposta, essa diferença de R$ 22
milhões iria para o exterior, como remessa de
lucros, e não ficaria no nosso Estado, aquecendo
a economia local”, enfatizou o presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba,
Sérgio Butka.
De acordo com o Dieese a mobilização garantiu,
em média, R$ 3,7 mil por ano a mais para cada
trabalhador. “Essa foi uma conquista importante
que certamente vai influenciar positivamente as
campanhas de outras categorias em todo o Brasil,
servindo de referência para as negociações
salariais no segundo semestre”, disse o
economista técnico do Dieese, Cid Cordeiro.
Em ambas as montadoras os reajustes serão
aplicados ainda em setembro. Na Renault-Nissan
os trabalhadores ainda tiveram a garantia de 1%
de aumento real conquistado na data-base do ano
passado, por isso vão receber 8,65% de aumento
salarial. A Renault deixou de produzir 6.240
veículos com a greve. |