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Intransigência de Uribe deixa
Colômbia isolada na Unasul
Governo
colombiano negou-se a informar termos do acordo que cede bases
aos EUA e recebeu o repúdio de ministros dos demais 11 países da
América do Sul presentes ao encontro de Quito
O
governo da Colômbia recusou-se a apresentar os termos do acordo militar que
fez com os Estados Unidos, através do qual liberou a utilização de 7 bases
em no país. Com isso, obteve o repúdio dos demais 11 países presentes à
Reunião Extraordinária de Ministros do Exterior e da Defesa União de Nações
Sul-americanas, Unasul, reunida em Quito, Equador, durante os dias 15 e 16.
Os representantes colombianos também recusaram-se a apresentar garantias
formais de que tal pacto não resultará em agressões militares nos
territórios dos países vizinhos.
NOTIFICAÇÃO
Os ministros de Álvaro Uribe também ficaram sozinhos na discussão sobre a
notificação à Unasul de todos os acordos de cooperação nas áreas de defesa e
de segurança. Enquanto os representantes de todos os países defenderam a
transparência de tais acordos militares, a delegação colombiana exigiu a
inclusão de uma cláusula que previa a anuência - por parte dos países com
quem os sul-americanos fizessem acordos - no compartilhamento das
informações. O que significa na prática, que se peça a concordância dos EUA.
“Essa cláusula é inaceitável”, sublinhou o chanceler brasileiro, Celso
Amorim. “Esses pontos espelham a resistência da Colômbia a ter uma posição
totalmente aberta e transparente com a região”, frisou.
Instado a que Bogotá envie cópias do acordo aos países da região, na medida
em que a partir delas os Estados Unidos terão acesso ao continente inteiro,
o ministro colombiano da Defesa, Gabriel Silva, buscou justificar mais uma
poster-gação da medida exigida pelos sul-americanos declarando que ela seria
tomada somente depois do texto ser assinado.
O isolamento colombiano tornou-se evidente na constatação de Amorim de que o
placar da reunião foi de “11 a 1”. A Colômbia, nesses tópicos, não conseguiu
nem mesmo o apoio de países menos refratários a seu acordo com os EUA, como
Peru e Chile.
Para desviar o foco da ameaça representada pelas bases, situadas nas
proximidades da riquíssima Amazônia, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez,
disse que o acordo de seu país com os EUA não foi tratado com o mesmo peso,
na reunião, dos contratos de compras de armas - uma referência explícita aos
que a Venezuela fechou com a Rússia e aos que o Brasil discutiu com a
França.
“Não vimos nem letras grandes nem letras pequenas, e isso naturalmente gera
preocupação sobre as verdadeiras cláusulas desse acordo, insistiu o ministro
de Defesa e vice-presidente venezuelano”, Ramón Carrizález, que afirmou
ainda que seu governo está disposto a revelar aos demais países da região
detalhes do acordo recém assinado com a Rússia.
DEFESA
“Não temos nenhum impedimento em mostrar à Unasul todos os detalhes, porque
a confiança começa pela transparência. Nós temos a obrigação de nos
defender, e substituir os armamentos obsoletos por outros em condições de
garantir a segurança do país não é mais que o dever de qualquer governo que
zele por seu povo”, afirmou.
Em entrevista coletiva depois da reunião, o chanceler venezuelano, Nicolas
Maduro, completou que “a Venezuela está se equipando para garantir a paz e
para defender nosso petróleo, nosso gás”, e que seu país tem a obrigação
constitucional de se proteger.
O ministro do Exterior da Venezuela, Nicolás Maduro, destacou que “os
esforços devem ser para fazer da América do Sul uma zona de paz”.
“Temos dito ao governo da Colômbia, no marco da UNASUL, que reveja sua
posição e que caminhemos para uma aliança de paz sul-americana, que
comecemos a falar de paz e que a América do Sul apóie o povo da Colômbia na
busa da paz”, acrescentou Maduro. |