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O mais
atingido pelas
bases ianques é o povo
JAIME CAICEDO*
Para os colombianos e as colombianas não é um consolo a afirmação oficial de
que a influência das bases “se limitará à Colômbia” e não afetará aos países
vizinhos.
A primeira razão: o conjunto dos últimos 15 anos mostra um crescente
envolvimento direto dos Estados Unidos na guerra civil que se tornou uma
política de Estado permanente na Colômbia.
Como conseqüência disso, o intervencionismo militar direto dos EUA se tornou
o principal obstáculo para alcançar a paz, por uma via política, de diálogo
e de razão. Os Estados Unidos incorporam o conflito interno colombiano à sua
política exterior e a sua relação com a América Latina. Correspondentemente,
o Estado norte-americano não acrescenta nada para o desenvolvimento, à
melhoria das condições de vida da população nem ao bem-estar do povo na
Colômbia.
Uma segunda razão: o governo federal alienou a política colombiana para a
América Latina à política externa dos EUA. De uma simples anomalia no marco
continental, Uribe se converteu na cabeça de uma contra-ofensiva às mudanças
democráticas, à paz, ao direito à autodeterminação e à inviolabilidade de
territórios soberanos.
PROLONGAMENTO DA GUERRA
Uribe endureceu a guerra civil como política permanente de Estado, sob a
forma de “segurança democrática”. Necessita prolongar a guerra para
permanecer no poder. Guerra e aliança com o Comando Sul dos EUA são a
essência estratégica de sua ambição pessoal, se reeleger para permanecer no
poder.
Uma terceira razão: se as bases, a presença das tropas, assessores e
“contratados” vêm para reforçar a segurança democrática, isto é, a guerra
interna, este apoio contra-insurgente não é gratuito. Não será o fim do
lucrativo negócio capitalista da produção e tráfico de narcóticos, ao qual
fracassou estrondosamente o Plano Colômbia e do que se nutrem as máfias
narco-paramilitares governantes.
Que novas concessões exige Washington do governo reverente e apátrida que
nos governa? Há pouco mais de um século, o preço foi a divisão do país, com
a separação do Panamá, impulsionado pelo Grande Garrote.
As forças democráticas e os movimentos populares devem levantar o direito à
paz na Colômbia sem intervenção militar dos Estados Unidos: a paz
desmilitarizada, sem corridas armamentistas induzidas a partir do exterior,
respeito à autodeterminação dos povos e de seus processos democráticos. Isto
significa reconquistar, para a política latino-americana, o direito a uma
coexistência pacífica no plano continental de processos de renovação e
mudanças democráticas, num contexto de respeito pela autodeterminação dos
povos, por sua soberania e integridade territorial, sem bases militares de
um Estado no território de outro, e o direito à não-intervenção sob nenhuma
figura.
*secretário-geral do
Partido Comunista da Colômbia |