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Pesquisadora
Eva Golinger denuncia:
“EUA tem o maior orçamento militar do mundo e usa para tomar riquezas dos
demais”
Os presidentes dos países que integram a Comunidade para o Desenvolvimento
da África Austral (SADC), reunidos em Kinshasa no dia 11, reivindicaram o
imediato fim das sanções contra o Zimbábue.
O anfitrião do encontro, presidente da República Democrática do Congo,
Joseph Kabila, denunciou que as sanções sabotam o desenvolvimento e o
bem-estar do povo do Zimbábue.
O comunicado final do encontro afirma que “considerando os progressos
gerados pela aplicação de um acordo político global, chamamos a comunidade
internacional a levantar toda forma de sanção contra o Zimbábue”.
REFORMA AGRÁRIA
Para manter as sanções econômicas, que incluem a negação de fundos por
instituições financeiras, os EUA seguem denunciando ataques à democracia.
O boicote contra a ex-colônia britânica, de 11 milhões de habitantes e com
73% de sua população em zonas rurais, fez-se mais forte desde o ano 2000,
quando o presidente Robert Mugabe acelerou a reforma agrária.
Na reunião participaram os chefes de Estado Jacob Zuma, da África do Sul;
Armando Guebuza, de Moçambique; Robert Mugabe, do Zimbábue, e Lucas Pohamba,
da Namíbia, além de delegações dos demais integrantes da Comunidade, que são
Angola, Botsuana, Lesoto, Mada-gascar, Malawi, Suazilândia, Tanzânia e
Zâmbia.
Uma
delegação da União Européia visitou o Zimbábue durante esta semana e foi
recebida por Robert Mugabe, integrantes de seu partido Zanu-PF; pelo
primeiro-ministro Morgan Tsvangirai e seu partido MDC-T.
O jornal do Zimbá-bue, The Herald, denunciou que Tsvangirai “pretende que a
União Européia mantenha as sanções contra o Zimbábue” apesar do acordo
firmado pelos dois partidos e apoiado pela União Africana e pela SADC
denominado Global Political Agreement (GPA - Acordo Político Global), pelo
qual Tsvangirai assumiu o posto de primeiro-ministro. Ele participou de um
comício em Bulawyo, mesma cidade e no mesmo dia em que membros da delegação
se encontraram com ele para dizer que No comício ele declarou que “o partido
Zanu-PF continua a violar a lei, perseguir parlamentares nossos e a ignorar
tratados internacionais”.
Integrantes do partido Zanu-PF também denunciaram que nos encontros com os
europeus somente eles argumentavam contra as sanções enquanto que os do MDC-T
“ficavam estra-nhamente em silêncio”.
O The Herald denuncia que Tsvangirai quer forçar o governo a lhe ceder mais
postos do que o acordado. O ministro do Desenvolvimento da Suécia, Gumilla
Carlson, defendeu Tsvan-girai dizendo que “as medidas restritivas são
decididas pela União Européia” e que “não cabe ao primeiro-ministro [Tsvangirai]
retirá-las”.
MUGABE
O presidente Mugabe esclareceu aos europeus que o Zanu-PF fez a sua parte e
o governo procedeu à posse de Tsvangirai e demais ministros por ele
indicados. Mugabe declarou que deputados do MDC-T foram presos sob acusação
de sequestro e estupro “ofensas muito graves em qualquer país do mundo”.
“Ou os senhores pretendem que os deputados no Zimbábue estejam acima da
lei?”, questionou o presidente. Mugabe esclareceu que o ministro do
Interior, encarregado da polícia, foi indicação acordada pelo Zanu-PF e
MDC-T. “Eu duvido que ele mandaria prender de forma arbitrária membros de
seu próprio partido”, disse Mugabe.
O presidente Mu-gabe pediu aos europeus que prestassem atenção aos pontos de
vista africanos sobre a questão do Zimbábue como referentes a um país
soberano e independente. “A Europa deve se reportar a nós como um país
africano e não como se fôssemos membros de sua comunidade. Nós não somos
parte da Europa”. |