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1 milhão de votos para
Karzai são suspeitos, assinalam observadores da União Europeia
A comissão de observadores da União Européia assinalou que 30% dos votos
computados para Hamid Karzai (atual presidente fantoche) “são suspeitos” e
que qualquer declaração sobre contagem ou vitória será prematura e sem
credibilidade”, conforme o chefe da missão, Phillipe Morrillon. A declaração
foi feita poucas horas antes de Karzai, o preferido dos oleodutos e dos
barões do ópio, ter-se anunciado “preliminarmente” vencedor com 54% dos
votos, o que garantiria sua reeleição no primeiro turno. O segundo colocado,
o ex-chanceler de Karzai, Abdula Abdula, obteve 27,8%.
Tudo mundo já previa que as eleições no Afeganistão, sob boca de urna dos
marines e da Otan, e com a USAF fazendo, do alto, o porta a porta, seria uma
esculhambação, mas desta vez os invasores e seus fantoches se esmeraram. A
avalanche de denúncias foi de tal porte que até a Comissão de Queixas
Eleitorais ordenou a recontagem de 10% das seções eleitorais por considerar
que as evidências de fraude “são claras e convincentes”. Na recontagem,
terão de ser revistas seções em que houve 600 votos, ou que uma das duas
seguintes condições se concretizaram: 100 votos, ou 95% dos votos para um só
candidato.
Abdula Abdula, assim que as eleições terminaram, apresentou em uma coletiva
de imprensa, segundo o “New York Times”, “um livro inteiro com cédulas
preenchidas, aparentemente antes do dia do pleito, todas em favor do
presidente Karzai”. Entre as denúncias, há de tudo, desde urnas entupidas de
votos para Karzai, provenientes de redutos do Talibã, a urnas com mais
cédulas que eleitores – a pressa é inimiga da perfeição - e outros fenômenos
eleitorais. De fazer inveja aos organizadores de eleições na Flórida e em
Ohio. Registre-se que o comparecimento oficialmente não chegou a 39%.
Para completar a confusão, a menos que os resultados sejam certificados no
máximo em seis semanas, o rigoroso inverno inviabilizará o segundo turno,
que só poderá ser feito em abril, e o governo fantoche ficará mais fantoche
ainda. O que ameaça transformar Karzai, de “prefeito de Cabul” (como é
conhecido por sua impotência em relação ao resto do país), em síndico de
alguns bairros da capital.
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