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Nestlé ameaça sair da
Suíça se governo limitar salários
milionários dos executivos
A Nestlé, maior
multinacional do setor de alimentos, e com forte presença no Brasil, está
ameaçando o governo da Suíça de retirar do país a sede mundial da empresa,
situada na capital Berna.
A Nestlé não gostou nem
um pouco que o governo esteja discutindo a proposta do Partido Socialista de
limitar os salários de altos funcionários executivos e diretores de empresas
a no máximo 12 vezes o salário mais baixo nela existente.
Em uma entrevista no
último domingo ao jornal suíço “Son-ntag” o austríaco Peter Brabeck,
diretor-geral presidente da Nestlé, afirmou que “isso seria o começo do
fim”, e questionado sobre as consequências para a Nestlé se tais medidas
fossem ado-tadas pelo governo respondeu que “nós seremos levados a nos
perguntar se a Suíça hoje continua sendo para nós o lugar mais apropriado
para mantermos a sede da empresa”.
Para o presidente da
Nestlé “o que é mais atraente na suíça é a segurança legal (jurídica) que
ela oferece. Essa segurança que era sólida como o granito agora amoleceu”,
queixou-se o executivo, e reclamou da ‘injustiça’ cometida “contra os
salários e contra os principais dirigentes das grandes sociedades,
principalmente as ligadas às finanças que, com a crise, têm vivido
regularmente com o ‘dedo apontado’ contra si”. Peter criticou também o
parlamento e o governo suíços “por estarem se submetendo às pressões vindas
do exterior e internamente aos populistas e se apressando em mostrar sua
disposição em mudar as leis. Isso é prejudicial ao país.
A suíça tem a boa
reputação de não ceder a esse tipo de pressão”, sublinhou, mas expressando
sua preocupação com o fato de que a UBS, gigante suíça do sistema bancário,
depois de responder a uma ação impetrada num tribunal nos EUA, ter aceito
revelar o nome de 4.450 de seus clientes norte- americanos. O presidente da
Nestlé considerou isso “o início de uma escalada para o fim do segredo
bancário suíço” e acrescentou: “esse não é um caso isolado”, referindo a
pressões no mesmo sentido por parte do Ministro das Finanças da Alemanha,
Peer Stein-brück, e concluiu: “É indispensável que a segurança legal seja
restaurada na Suíça”.
A Nestlé emprega no país
2.700 trabalhadores e no ano passado realizou um lucro líquido de 12 bilhões
de euros, afirmou em Berna o jornal “Sonntag”.
R.C.
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