|
Siqueira: “lei do petróleo de FHC é uma excrescência”
O presidente da Aepet (Associação dos
Engenheiros da Petrobrás), Fernando Siqueira, afirmou, em entrevista ao site
“Terra Magazine”, que a lei 9.478/97 criada por FHC “é uma excrescência
jurídica inédita no mundo”.
“A ideia de que mantendo a Lei 9.478 e
elevando-se os tributos se resolveria todos os problemas é uma tremenda
falácia”, argumentou. “A questão crucial”, disse ele, “é que a lei 9.478 dá
a propriedade do petróleo a quem produz”. “A Constituição diz que o petróleo
pertence à União, portanto, ao povo brasileiro. Os artigos 3º, 4º e 21 da
própria Lei 9.478 também estabelecem isto. Mas o artigo 26 desta lei, fruto
do lobby internacional, diz que a propriedade é de quem produz”.
“Alem do mais, a Lei 9.478 foi elaborada no auge
do neoliberalismo e sob o argumento de que era preciso incentivar a vinda de
capital externo para correr alto risco com baixo retorno. Logo, ela não se
aplica ao pré-sal que tem baixo risco e altíssimo retorno”.
Siqueira elogiou a iniciativa do governo de
mudar a legislação. “Quando o governo foi informado da perspectiva da
existência de uma reserva fantástica na província do pré-sal, acertadamente,
retirou 41 blocos do 9º leilão, verdadeiros bilhetes premiados; em seguida,
mandou reestudar a legislação do petróleo”. “Afinal, a Petrobrás perfurou 13
poços em blocos diferentes e encontrou petróleo nos 13. Manter os leilões e
ainda regidos pela lei atual seria crime de lesa-pátria, à moda FHC”.
Para ele, a proposta do governo “tem três pontos
fortes: 1) o contrato de Partilha, que retoma a propriedade do petróleo pela
União, conforme reza a Constituição Federal – o contrato de concessão é
inaceitável porque dá a propriedade a quem produz; 2) a Petrobrás como
operadora de todos os blocos irá adquirir mais equipamentos, materiais e
mão-de-obra no país. Garantirá a lisura da medição da produção [esta é a
maior fonte de corrupção no segmento internacional de petróleo] e obedecerá
a um ritmo de produção que atenda à estratégia energética do país; 3) um
fundo soberano para garantir o futuro e amortecer a entrada de dólares no
país”.
“Por outro lado, a proposta tem três pontos
negativos: 1) a continuidade dos leilões. 2) a criação de uma estatal que
pressupõe a continuidade dos leilões. 3) o governo não fixou um patamar
mínimo de participação na produção pela União. Esperávamos 80%. Se os
leilões continuarem e o critério for quem oferecer percentual maior ganha o
bloco, há o perigo de o cartel das ‘Big Oil’ atuar oferecendo percentual
baixo. Se o presidente da Petrobrás for um tucano, tipo Reichstul ou
Zilberstajn, fica fácil para eles”.
O presidente da Aepet afirmou que “essa mídia
‘domada’ falta com a verdade mais uma vez visando defender interesses
externos”, ao comentar o argumento de que a Petrobrás não teria recursos
para explorar o pré-sal. “A Petrobrás já garantiu recursos para investir nos
próximos 5 anos. O pré-sal é autofinanciável. Os recursos financeiros, se
faltarem alguns, vêm de uma fonte única: o Sistema Financeiro Internacional.
Quem tem petróleo para produzir tem crédito fácil e barato. Além disto, os
países desenvolvidos têm recursos, mas não tem petróleo. Têm oferecido
financiamentos ao Brasil e à Petrobrás, à vontade”.
“Nós temos defendido a volta da Lei 2004/53,
pois durante os 44 anos de sua vigência ela se mostrou perfeita para o país.
Permitiu a auto-suficiência (95% dos poços em produção foram descobertos na
sua vigência. Os outros 5% foram mapeados nesta vigência [Lei 9478/97]). A
2004/53 propiciou que a Petrobrás pesquisasse o pré-sal durante 30 anos e,
quando a tecnologia permitiu, comprovasse a tese dos seus técnicos,
perfurando e achando o petróleo que pode colocar o Brasil no seu destino de
país mais viável do planeta”.
“A Lei 2004 está na modernidade, pois 78% das
reservas mundiais já estão nas mãos de empresas estatais, com tendência a
aumentar, porque os governos dos países proprietários dessas empresas se
conscientizaram da importância estratégica desse energético. Por outro lado,
as empresas privadas internacionais, que formam o cartel das ‘Big Oil’ e que
já tiveram sob controle 90% das reservas mundiais, hoje têm menos de 5%”.
|