Requião pede maior integração, redução dos juros e uma política industrial
para o Mercosul
O
governador Roberto Requião (PMDB) defendeu a integração regional para
fortalecer a economia dos países do Mercosul e alertou que a crise mundial
ainda está presente nos países da Europa e nos EUA.
Para fazer frente a ela, Requião propôs a
criação de uma moeda própria, a redução das taxas de juros e o aumento do
poder de compra dos trabalhadores às autoridades governamentais do Brasil,
Argentina, Paraguai e Uruguai, que estavam presentes na solenidade de
abertura do Encomex Mercosul, na quarta-feira (16), em Foz do Iguaçu. O
evento reuniu lideranças empresariais nacionais e internacionais e
autoridades dos governos dos países do Mercosul.
“No Brasil, nós estamos com uma taxa Selic de
8,75%, sem inflação. Nós medimos em Curitiba, na semana passada, e estamos
em deflação. Países desenvolvidos, com inflação, diminuíram ou zeraram a
taxa de juros para estimular a economia”, declarou. Ele defendeu ainda a
adoção de políticas industriais e sociais, investimentos em ciência e
tecnologia e financiamento do setor privado nacional. Além disso, ele
destacou a importância de fortalecer o poder de compra dos trabalhadores,
principalmente aqueles das classes mais baixas. “A crise no Brasil só não é
maior porque as classes C, D e E têm poder aquisitivo e estão sustentando um
relativo crescimento econômico”, frisou.
“Maravilhoso é que neste encontro podemos pensar
em uma moeda latino-americana. Eu acho que o mundo hoje está diante de uma
opção: ou lutamos pela nossa qualidade nacional, e isso vale para o Brasil,
Argentina, Paraguai e Uruguai, ou nós somos escravos do mercado”, continuou
Requião.
Requião criticou a tese dos que advogam que o
mercado resolve tudo. “O mercado só tem uma linguagem, a do lucro, da
manipulação de somas fantásticas com a velocidade da internet nas bolsas de
valores. Quebra países, desemprega milhões de pessoas sem produzir um bem.
Só tem compromisso com o dinheiro”, disse o governador.
“A nação é diferente, tem história. Tem o povo,
vivendo ao mesmo tempo, em um mesmo território. A nação tem compromisso com
as pessoas, com a aventura de vida de cada um. O mundo não pode continuar
submetido ao domínio do mercado financeiro. Nós temos a oportunidade de
fazer valer nosso processo civilizatório, histórico, cultural, como nações
da América do Sul de uma forma solidária. Isto é possível”, completou
Requião.
O governador paranaense destacou as medidas que
tomou para desenvolver seu Estado e mostrou os resultados. Segundo Requião,
enquanto a indústria brasileira cresceu aproximadamente 1,5% no mês de
julho, o setor industrial do Paraná teve alta de 15,6%. A arrecadação do
Estado registrou aumento de 8% em relação ao obtido no ano passado. “Estamos
apresentando agora os resultados de medidas acertadas. O Paraná tem o maior
salário mínimo regional do Brasil. Aqui, deixamos de cobrar impostos das
microempresas e reduzimos para 2% a taxa das pequenas empresas. A conclusão
é que temos a maior geração de empregos formais do país, em relação à
população, e o maior crescimento do número de empresas novas, com uma taxa
de mortalidade empresarial bem abaixo da nacional”, disse.