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OCDE anuncia 25,5 milhões de empregos
destruídos pela crise
Segundo a
Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, desde o início da
crise, mais 15 milhões perderam o emprego e, até o final de 2010, outros
10,5 milhões serão atingidos, uma destruição de 25,5 milhões de empregos
A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os
30 países mais ricos, afirmou em relatório divulgado na semana passada que a
anunciada recuperação econômica em 2010 não impedirá que o total de
desempregados nesses países atinja um recorde desde a II Guerra Mundial, 57
milhões. O número de postos de trabalho destruídos desde o início da crise –
hoje de 15 milhões – chegará a 25,5 milhões em 2010, apontou a organização,
em seu relatório anual “Perspectivas do Emprego”. Entre os membros da OCDE
estão 19 países da União Européia, Estados Unidos, Japão, Canadá, Coréia do
Sul e Austrália.
CRISE ESTRUTURAL
Assim, afirmou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, ao apresentar em
Paris o relatório, “a crise econômica e financeira se transformou em uma
crise de emprego”. Conforme destacou o jornal francês Le Monde, a
organização assinalou que um dos principais riscos no atual quadro é que
“grande parte desta forte alta do desemprego tenha um caráter estrutural”,
com um grande número das pessoas atingidas por “desemprego de longa
duração”, ou pior ainda, simplesmente “sacadas da vida ativa”.
A taxa de desemprego na zona da OCDE passou de 5,6% (média dos 30 países) em
2007, “seu ponto mais baixo em 25 anos”, para 8,3% em junho de 2009, que é
“um nível sem precedentes após a [Segunda] Guerra”. E deverá subir “até 9,9%
no segundo semestre de 2010”, com picos em países como a Espanha (19,8%) e
Irlanda (15,1%).
Note-se que, nesse cômputo da taxa de 9,9% de média da zona da OCDE, só é
considerado “desempregado” aquele que tiver tentado arrumar emprego no
período considerado na pesquisa, e ficam de fora os subempregados e os que
supostamente “desistiram de procurar emprego”. Como comparação, nos EUA, que
oficialmente anuncia uma taxa de desemprego de 9,7%, esta sobe para 16,5%
quando são incluídos os subempregados e desempregados de longa data. (apenas
com o cômputo dessa taxa “cheia” de desemprego nos EUA, os 25,5 milhões de
desempregados para toda a zona da OCDE esperados para 2010 já seriam
atingidos hoje).
O relatório advertiu ainda que, conquanto as maiores altas de desemprego
tenham se dado nos EUA, Inglaterra, Espanha, Irlanda e Japão, o problema
também está colocado para a França, a Alemanha e a Itália. Conforme a OCDE,
“a elevação persistente do desemprego tem acarretado um custo social e
econômico importante: degradação do estado de saúde, baixa do nível de vida
e da auto-estima dos desempregados e sua família; aumento da delinqüência e
da criminalidade; e diminuição do potencial de crescimento da coletividade”.
Ainda segundo Gurría, 37% das famílias com pessoas desempregadas se
consideram pobres, sendo imperativo que os governos adotem ou ampliem
programas sociais. Também são particularmente atingidos os jovens – cuja
taxa de desemprego (17%) é quase o dobro da taxa geral – e os imigrantes.
A.P.
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