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Petroleira inglesa oferece dinheiro a vítimas de seu lixo tóxico para não
encarar tribunal
A petroleira inglesa Trafigura, que depositou lixo tóxico na Costa do Marfim
em 2006, causando a morte de 15 pessoas e deixando doentes até 100 mil,
anunciou que está disposta a pagar uma indenização às vítimas, segundo a
BBC. No próximo mês um tribunal de Londres irá se pronunciar sobre o caso,
que é a maior ação coletiva desse tipo da história da justiça inglesa,
movida por 31 mil africanos. Um relatório da ONU confirmou que há fortes
evidências de que as mortes e doenças foram causadas pelo lixo tóxico.
O lixo tóxico foi levado por um navio a serviço da Trafigura para a Costa do
Marfim e depositado em 15 diferentes locais da maior cidade do país, Abidjan.
Nas semanas que se seguiram, dezenas de milhares sofreram com problemas de
respiração, diarréia e náuseas, e 15 morreram. Apesar de ter pago quase US$
200 milhões para retirar o lixo tóxico jogado na Costa do Marfim, a
Trafigura insistia até aqui em declarar que não tinha envolvimento no caso,
e que o relatório da ONU era impreciso e prematuro. No ano passado, a
empresa pagou US$ 100 milhões ao governo da Costa do Marfim para “compensar
as vítimas” e na quarta-feira passada anunciou estar disposta a fechar um
“acordo global”.
O lixo tóxico foi resultante da “lavagem” com soda cáustica de um rejeito
conhecido como “cocker nafta”, gerado por uma refinaria da Pemex. A
Trafigura decidiu, conforme e-mails obtidos pela BBC, comprar o rejeito e
vende-lo como gasolina, após “limpá-lo” do excesso de enxofre. “Essa é a
forma mais barata que qualquer um pode imaginar e que pode gerar muitos
dólares”, registrou um ganancioso executivo em um e-mail.
“COKER NAFTA”
Para isso, foi contratado o navio Probo Koala, cujos operadores usaram
toneladas de soda cáustica e de outro catalisador no “coker nafta” para
obter a gasolina, um processo barato mas gera o lixo tóxico que vitimou
tantos africanos. A Trafigura sabia o que estava fazendo. Conforme outro
e-mail, “essa operação não é mais permitida na União Europeia, Estados
Unidos e Cingapura. [Ela é] proibida na maioria dos países, devido à
‘natureza nociva do lixo”’.
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