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Zelaya conclama mobilização pela retomada
da constitucionalidade
“O povo está reunido diante da embaixada do Brasil na luta pela retomada do fio
da constitucionalidade”, enfatizou Zelaya.
Zelaya destacou seu comprometimento com o povo hondurenho e que ele só deixará a
embaixada quando a ditadura cair.
A multidão, que se dirigiu até a frente da embaixada brasileira onde ouviu o
primeiro pronunciamento do chefe da nação desde o seu retorno ao país,
manteve-se na frente do prédio apesar do toque de recolher anunciado pelos
golpistas e do corte de luz nas cercanias e no interior da embaixada do Brasil.
A iluminação foi conseguida graças a velas e pequenas fogueiras acesas nas ruas
próximas à embaixada.
CARAVANAS
A multidão se manteve no local atendendo ao pedido de Zelaya de que todos se
mantenham no local para garantir a integridade do presidente.
Desde o interior do país também se dirigem a Tegucigalpa caravanas com
integrantes de grupos de resistência ao golpe, conforme informou de Honduras a
Rádio Globo. Tropas do exército nas diversas entradas da capital tentam impedir
a chegada das caravanas ao encontro do presidente Zelaya.
O canal 13 teve suas transmissões interrompidas também por corte de energia e a
Rádio Globo tem conseguido manter o fluxo de informações mas também tem sofrido
interrupções. O governo também mandou fechar os aeroportos internacionais do
país ocupando-os com tropas militares. Isso depois do anúncio do deslocamento,
previsto para o dia 22, de delegação da OEA, encabeçada pelo seu presidente,
Miguel Insulza, em direção a Tegucigalpa, além de outras missões e lideranças
internacionais que se dirigem ao país para exigir o retorno à
constitucionalidade.
Estas atitudes demonstram a intransigência dos que deram o golpe de Estado em
Honduras e a sua insistência na manutenção da ilegalidade com declarações
hipócritas como a que afirma que o Brasil e Zelaya seriam “responsáveis por
qualquer tipo de violência ou distúrbio no país”, como se não fosse outra coisa
o que andam fazendo desde o dia em que seqüestraram o presidente eleito e o
conduziram, no dia 28 de junho, primeiro a uma base norte-americana no país e
depois para fora de suas fronteiras.
FRENTE NACIONAL
O coordenador da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado de Honduras, Juan
Barahona, destacou que há intensa mobilização popular e que “a cidade está sendo
inundada por manifestantes.”
“A reação popular causada pela chegada do presidente não pode ser detida por
ninguém e que pretende reconduzi-lo à casa de governo. Para impedir a reação,
seria necessário um massacre e é muito difícil que o exército o pratique devido
à pressão internacional”.
A Federação de Ogani-zações do Magistério de Honduras (FOMH) convocou nova
paralização do setor em todo o país e chamou os professores todos a se
concentrarem na capital do país pela volta à democracia.
A OEA realizou uma reunião extraordinária na segunda-feira e saudou por
unanimidade a “ação de valentia” do presidente Zelaya reentrando em solo
hondurenho.
Zelaya destacou também seu agradecimento à atitude do Brasil e do governo Lula,
ao ceder o espaço e imunidade diplomática da embaixada pela causa do retorno do
presidente legítimo ao país e agradeceu tambám ao “apoio internacional amplo e
generoso”. Deu exemplo com a atitude da presidente da Argentina, Cristina
Kirchner, que o acompanhou na primeira oportunidade em que tentou ingressar em
Hondu-ras e o avião em voavam foi impedido de aterrissar.
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