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Uma revolução na filosofia (5)
“Justamente nas falhas do
espírito combativo e agressivo se devem procurar as causas do medo de alguns dos
nossos filósofos experimentarem a sua capacidade em novas questões - nas
questões contemporâneas, na solução dos problemas que diariamente a prática põe
diante dos filósofos e para as quais a filosofia está obrigada a dar resposta”
ANDREI ZHDANOV
Continuação da edição anterior
No trabalho filosófico não se
percebe espírito de luta e tampouco o espírito peculiar dos “tempos bolcheviques”.
A esse respeito, algumas teses errôneas do livro são um eco do atraso de toda a
frente filosófica e por isso não podemos considerá-las como um fato casual,
isolado, mas sim como reflexo de um fenômeno geral.
Aqui, frequentemente, se usou a expressão “frente filosófica”. Mas onde se
encontra, propriamente falando, essa frente? A frente filosófica, absolutamente,
não é semelhante à ideia que fazemos de uma frente. Quando se fala sobre uma
frente filosófica, imediatamente, por associação, surge a ideia de um organizado
destacamento de filósofos militantes, perfeitamente armados com a teoria
marxista, que dirige uma decisiva ofensiva contra a ideologia inimiga no
estrangeiro, contra as sobrevivências da ideologia burguesa na consciência da
unidade soviética, no interior de nosso país; que impulsiona incansavelmente
para a frente a nossa ciência; que arma os trabalhadores da sociedade socialista
com a consciência da justeza do rumo do desenvolvimento de nossa sociedade e da
certeza, cientificamente fundamentada, da final vitória de nossa causa.
Porém, será que a nossa frente filosófica se parece com uma verdadeira frente?
Ela mais depressa nos lembra uma tranquila represa ou um bivaque situado em
algum lugar, longe do campo da luta. O campo de batalha ainda não foi ocupado,
tampouco se tomou contato com os adversários, e o reconhecimento não foi
realizado; as armas se enferrujam, os combatentes lutam por sua própria conta e
risco, e os comandos ou se embriagam com as vitórias passadas, ou discutem se
possuirão forças suficientes para a ofensiva ou se não precisarão pedir auxílio
de fora; também discutem sobre quanto pode a consciência atrasar-se da realidade
da vida, e com isso pretendem provar que não estão demasiado atrasados. . .
No entanto, nosso partido precisa extremamente da elevação dos trabalhos
filosóficos. As rápidas mudanças, que todo dia se verificam na nossa vida
socialista, não são generalizadas pelos nossos filósofos, não são estudadas e
justificadas do ponto de vista da dialética marxista. E por isso mesmo
dificultam as condições para o futuro desenvolvimento da nossa ciência
filosófica. A situação se apresenta de tal modo que o desenvolvimento do
pensamento filosófico se realiza, em considerável medida, apesar dos nossos
filósofos profissionais. Isto é completamente inadmissível.
Certamente, a causa do atraso na frente filosófica não está ligada a qualquer
condição objetiva. As condições objetivas são favoráveis, como nunca; o
material, que aguarda uma análise e generalização científicas, é ilimitado. As
causas do atraso na frente filosófica, precisamos procurá-las nos domínios do
subjetivo. Essas causas fundamentais são justamente aquelas que indicou o Comitê
Central, ao analisar o atraso em outros setores da frente ideológica.
Como vocês lembram, as conhecidas decisões do Comitê Central sobre as questões
ideológicas foram dirigidas contra a falta de ideologia e o apoliticismo na
literatura e nas artes; contra os que se afastam da temática contemporânea e se
voltam para o passado; contra a admiração em face de tudo o que é estrangeiro; e
a favor do partidarismo bolchevique combativo na literatura e na arte. É sabido
que muitos destacamentos de trabalhadores de nossa frente ideológica já chegaram
a conclusões apropriadas, apoiados nas decisões do Comitê Central, e por esse
caminho já alcançaram sucessos consideráveis.
Apesar disso, os nossos filósofos profissionais se atrasaram. Evidentemente, não
prestam atenção à falta de princípios e de ideologia no trabalho filosófico, ao
desprezo pela temática contemporânea, ao servilismo e à bajulação em face da
filosofia burguesa. Eles, evidentemente, imaginam que a virada na frente
ideológica não os atinge. Agora, todos veem que essa virada é necessária e dela
precisam participar.
Sobre o fato da frente filosófica não se encontrar nas primeiras linhas do
trabalho ideológico, também cabe considerável parte de culpa ao camarada
Alexándrov. Ele não possui, para pesar nosso, uma capacidade crítica e
penetrante para revelar as falhas do trabalho. Ele claramente superestima suas
próprias forças, não se apoiando na experiência e conhecimento dos grandes
conjuntos de filósofos. Mais que isso, ele apoia demais o seu trabalho no
estreito círculo dos mais íntimos colaboradores, também admiradores de seu
talento. A atividade filosófica acabou sendo monopolizada nas mãos de um pequeno
grupo de filósofos, mas a maior parte dos filósofos, especialmente os da
província, não foi atraída para o trabalho dirigente.
Dessa forma, foi prejudicada a justa inter-relação entre os filósofos.
Agora, todos veem que a elaboração de trabalhos como um livro de história da
filosofia não é tarefa para um só homem, e que o camarada Alexándrov deveria
inicialmente atrair para o trabalho um amplo conjunto de autores, isto é,
especialistas em materialismo dialético, especialistas em materialismo
histórico, historiadores, naturalistas e economistas. O camarada Alexándrov
escolheu um caminho errado para a elaboração do livro, não se apoiando sobre um
amplo círculo de pessoas capacitadas. É indispensável corrigir esse erro.
Os conhecimentos filosóficos são, certamente, entre nós, propriedade de grandes
círculos de filósofos soviéticos. O método de atração do maior número de autores
para a elaboração do livro de filosofia, agora, aplica-se plenamente para a
redação de um livro de economia política, que deve ficar pronto no mais curto
espaço de tempo, e para o trabalho de sua redação devem ser atraídos amplos
círculos não somente de economistas, mas também de historiadores e filósofos.
Tal método de elaboração é o mais promissor. Ele implica também uma outra ideia,
a de reunir os esforços dos vários destacamentos de trabalhadores ideológicos,
no presente insatisfatoriamente ligados entre si, para a solução dos grandes
problemas, que têm uma significação científica geral. Cumprir-se-á também o
objetivo de, por esse meio, organizar a interação entre os trabalhadores dos
diversos ramos ideológicos, a fim de impulsionar para diante a ciência em geral,
não cada um por sua própria conta, ineficientemente, mas por meio de um conjunto
de trabalhadores, de um modo organizado e firme, e, por consequência, com as
maiores garantias de êxito.
CRÍTICA E AUTO-CRÍTICA: O VELHO E O NOVO
Onde, então, se encontram as
raízes dos erros subjetivos de numerosos dirigentes dos trabalhos da frente
filosófica? Por que, aqui, na discussão, representantes da velha geração de
filósofos lançaram justa reprovação a alguns moços, a propósito de sua prematura
senilidade e de sua falta de combatividade, agressividade?
A resposta a esta questão impõe-se, e só pode ser uma: o insatisfatório
conhecimento das bases do marxismo-leninismo e a presença de remanescentes
influências da ideologia burguesa. Isto revela também que muitos dos nossos
trabalhadores ainda não compreenderam que o marxismo-leninismo é doutrina viva e
criadora, que ininterruptamente se desenvolve, que ininterruptamente se
enriquece à base da experiência da construção socialista e das conquistas das
ciências naturais contemporâneas. Tal subestimação desse vívido e revolucionário
lado de nossa doutrina não pode levar-nos senão ao rebaixamento da filosofia e
de seu papel. Justamente nas falhas do espírito combativo e agressivo se devem
procurar as causas do medo de alguns dos nossos filósofos experimentarem a sua
capacidade em novas questões — nas questões contemporâneas, na solução dos
problemas que diariamente a prática põe diante dos filósofos e para as quais a
filosofia está obrigada a dar resposta. Já é tempo de mais audaciosamente
impulsionar para a frente a teoria da sociedade soviética, a teoria do Estado
soviético, a teoria das ciências naturais contemporâneas, da ética e da
estética. É preciso acabar com a covardia, que não é uma característica
bolchevique . Admitir a estagnação no desenvolvimento da teoria - isto significa
secar a nossa filosofia, privá-la da sua característica mais preciosa, que é a
sua capacidade para o desenvolvimento, transformando-a em morto e seco dogma.
A questão sobre a crítica e autocrítica bolchevique é para os nossos filósofos
não somente uma questão prática, mas também profundamente teórica.
Se o conteúdo interno do processo de desenvolvimento, como nos ensina a
dialética, é a luta dos contrários, luta entre o velho e o novo, entre o que
está fenecendo e o que está nascendo, entre o que morre e o que se desenvolve,
então a nossa filosofia soviética precisa mostrar como age esta lei dialética
nas condições da sociedade socialista e em que consiste a originalidade de sua
aplicação. Sabemos que na sociedade dividida em classes esta lei age
diferentemente da forma pela qual age em nossa sociedade soviética. Eis onde se
encontra o mais amplo campo para a investigação científica, e este campo nenhum
dos nossos filósofos palmilhou. Entretanto, o nosso partido já há muito achou e
colocou a serviço do socialismo a forma particular de descobrimento e superação
das contradições da sociedade socialista (e essas contradições existem, e sobre
elas os nossos filósofos não querem escrever por covardia), e essa forma
particular da luta entre e velho e o novo, entre o que morre e o que nasce,
entre nós, na sociedade soviética, é o que se chama de crítica e auto-crítica.
Marx disse que os filósofos antecessores somente interpretaram o mundo, mas que,
no presente, trata-se é de transformá-lo. Substituímos o velho mundo e
construímos o novo, mas os nossos filósofos, para nosso pesar,
insatisfatoriamente interpretam este novo mundo, e ainda insatisfatoriamente
participam de sua transformação. Aqui, vimos algumas tentativas, por assim
dizer, de “teoricamente” interpretar as causas deste atraso. Falou-se, aqui, por
exemplo, sobre isso, que os filósofos demasiadamente se detiveram na fase de
comentários, por força do que, no tempo próprio, não passaram para o período de
realizações.
Esta interpretação certamente tem um aspecto elevado, mas pouco convincente. Por
certo, o trabalho criador dos filósofos precisa ser no presente a pedra angular
de todo trabalho, mas isto não significa que precise ser um trabalho de especial
erudição, para um círculo fechado, mas sim de popularização. Dele também precisa
participar o nosso povo.
CONTRA A IDEOLOGIA PODRE DA BURGUESIA
É preciso apressar-se para compensar o tempo perdido. Os problemas não esperam.
Conquistando brilhante vitória na grande guerra patriótica, que também é
brilhante vitória do marxismo, o socialismo ficou como um osso na garganta dos
imperialistas. O centro da luta contra o marxismo transportou-se, na atualidade,
para os Estados Unidos e a Inglaterra. Todas as forças do obscurantismo e da
reação estão postas agora a serviço da luta contra o marxismo. De novo já
trouxeram à luz e foram aceitas como armas da filosofia burguesa estes
instrumentos da democracia atômica e do dólar - as armaduras já gastas do
obscurantismo e do clericalismo: o Vaticano e as teorias racistas; o
nacionalismo selvagem e a caduca filosofia idealista; a corrupta imprensa
amarela e a podre arte burguesa. Mas a força, evidentemente, é insuficiente. Sob
a bandeira de luta “ideológica”, luta contra o marxismo, recrutam agora também
as suas últimas reservas. São atraídos os gangsters, caftens, espiões e
criminosos. Tomarei, ao acaso, um exemplo recente. Como informou há poucos dias
o “Izvestia”, na revista “Tempos Modernos”, que está sob a direção do
existencialista Sartre, é exaltado como uma revelação o novo livro do escritor
Jean Genet, “Diário de um ladrão”, que começa com estas palavras:
“A traição, a roubalheira e o homossexualismo — tais serão os meus temas
fundamentais. Existe uma ligação orgânica entre a minha atração pela traição,
para a ocupação com roubalheiras e minhas aventuras amorosas”.
O autor, evidentemente, conhece o seu assunto. As peças de teatro deste Jean
Genet, largamente anunciadas, permanecem na cena parisiense e o próprio Jean
Genet foi chamado insistentemente aos Estados Unidos. Tal é a “última palavra”
da filosofia burguesa.
Já é conhecido, pela experiência da nossa vitória sobre o fascismo, a que
impasse foram levados povos inteiros pela filosofia idealista. Agora, ela
apareceu com sua nova natureza, abominavelmente suja, que reflete toda a
profunda indignidade e baixeza do desmoronamento da burguesia. Caftens e
criminosos elevados à categoria de filósofos são realmente a expressão extrema
da ruína e corrupção da burguesia. Essas forças, contudo, ainda estão vivas e
são capazes de envenenar a consciência das massas.
A ciência burguesa contemporânea fornece ao clericalismo, ao fideísmo, nova
argumentação, que precisa ser implacavelmente desmascarada. Tomemos, por
exemplo, a doutrina do astrônomo inglês Eddington sobre as constantes físicas do
mundo, que diretamente o conduz à mística pitagórica dos números e, das suas
fórmulas matemáticas, conclui tais “constantes essenciais” do mundo, como o
apocalíptico número 666, etc. Não compreendendo a marcha dialética do
conhecimento, a inter-relação das verdades absoluta e relativa, muitos
continuadores de Einstein, transferindo certamente os resultados das
investigações das leis do movimento de uma parte limitada e finita do universo
para todo o universo infinito, chegam até à ideia de que o universo é finito,
até à sua limitação no tempo e no espaço. O astrônomo Milne até “calculou” que o
universo foi criado já há 2 bilhões de anos. Para esse sábio inglês são
aplicáveis, talvez, as palavras de seu grande compatriota, o filósofo Bacon,
sobre aqueles que transformam a impotência de sua ciência em calúnia contra a
natureza.
Igualmente, as manobras kantianas dos físicos atômicos da burguesia
contemporânea, conduzem-nos à conclusão lógica sobre o “livre arbítrio” no
elétron, às tentativas de interpretar a matéria tão somente como um conjunto de
ondas, como o diabo a quatro. . .
Aí, há um campo colossal para a atividade dos nossos filósofos, que devem
analisar e generalizar as conquistas das ciências naturais contemporâneas,
lembrando-se da indicação de Engels, de que o materialismo “deve se modificar
segundo toda nova grande descoberta que marque época nas ciências naturais.” (F.
Engels — Ludwig Feuerbach, K. Marx e F. Engels, Obr. Compl., T. XIV, pág. 647).
A quem, então, cabe essa tarefa, senão a nós, do país em que venceram o marxismo
e seus filósofos, de estar à frente na luta contra a putrefata e nojenta
ideologia burguesa? A quem cabe essa tarefa, de desfechar golpes destruidores,
senão a nós?
A VITÓRIA DO MARXISMO
Das cinzas da guerra nasceram novos estados democráticos e o movimento de
libertação nacional dos povos coloniais. O socialismo se impôs na ordem do dia
da vida dos povos. A quem cabe a tarefa, senão a nós, do país em que venceram o
socialismo e seus filósofos, de ajudar os nossos amigos e irmãos do estrangeiro
e esclarecê-los na sua luta pela nova sociedade, à luz do conhecimento do
socialismo científico? A quem, senão a nós, cabe a tarefa de esclarecê-los e
equipá-los com as armas ideológicas do marxismo?
No nosso país, realiza-se um poderoso florescimento da cultura e economia
socialistas. O seguro crescimento da consciência socialista das massas apresenta
sempre mais e mais exigências para o nosso trabalho ideológico.
Realiza-se um desenvolvido ataque contra as sobrevivências do capitalismo na
consciência dos homens. A quem, senão aos nossos filósofos, caberia a tarefa de
estar à frente das fileiras de trabalhadores da frente ideológica, de aplicar
totalmente a teoria marxista do conhecimento na generalização da imensa
experiência da construção socialista e nas decisivas e novas tarefas do
socialismo!
Em face desses magnos problemas, poder-se-ia perguntar: são os nossos filósofos
capazes de assumir a responsabilidade de novas tarefas? Existirá ainda bastante
energia entre os nossos filósofos? Não se enfraqueceram ainda as forças
filosóficas? Serão ainda capazes os nossos quadros filosóficos científicos, por
meio de suas forças internas, de superar as falhas de seu desenvolvimento e
reconstruir de novo o seu trabalho? Nesta questão, não podem haver duas
opiniões. A discussão filosófica mostrou que essas forças são capazes de revelar
as suas falhas para superá-las. É preciso apenas mais fé em suas próprias
forças, mais emprego dessas forças nos ativos combates, no levantamento e nas
soluções dos empolgantes problemas contemporâneos. É preciso acabar com a falta
de espírito de luta, ter mais dinamismo no trabalho; expulsar de si o caduco
Adão e começar a trabalhar como trabalhavam Marx, Engels, Lenin, como trabalha
Stalin.
Camaradas, vocês lembram como Engels, em seu tempo, rejubilava-se e assinalava
como importante acontecimento político, de imensa significação, a venda dos
livros marxistas, cujas tiragens eram de 2 a 3.000 exemplares. Disto se conclui
que, para o nosso padrão, já é insignificante tal venda, da qual Engels deduzira
que a filosofia marxista se havia enraizado profundamente na classe operária. E
que dizer sobre a penetração da filosofia marxista nas largas camadas do nosso
povo, e que diriam Marx e Engels se eles soubessem que os trabalhos filosóficos,
entre nós, se propagam pelo povo em dezenas de milhões de exemplares? Esta é a
verdadeira vitória do marxismo e isto é testemunha de que a magna doutrina de
Marx - Engels - Lenin - Stalin tornou-se, entre nós, a doutrina de todo o povo e
sobre essa base fundamental, de que não há igual no mundo, deve florescer a
nossa filosofia. Sede dignos de nossa época - época de Lenin - Stalin, época do
nosso povo, povo vitorioso! |