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TelComp: aquisição TVA/Telefónica causa
“transtorno” na banda larga
Além das panes, o serviço no Brasil chega a 400 vezes o preço vigente no Japão,
165 vezes o da Itália, 142 vezes o da França e 56 vezes o dos EUA, aponta estudo
da entidade
O presidente-executivo da Associação
Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp),
Luiz Cuza, fez uma observação sobre a concentração de mercado pela Telefónica
após a aquisição da TVA: antes da aquisição, três empresas (Telefónica, Net e
TVA) tinham 100% do mercado de banda larga para Internet em São Paulo. Depois da
aquisição, somente duas empresas monopolizam 100% desse mercado.
A Anatel tem favorecido aberta e
escandalosamente o monopólio na banda larga. Como mostrou estudo da TelComp em
2007, o resultado é que a banda larga no Brasil é centenas de vezes mais cara
que na Europa, EUA e Japão. Tomando como unidade o Megabit por segundo, no
Brasil seu preço chegava a R$ 716,50, enquanto no Japão era R$ 1,81; na Itália,
R$ 4,32; na França, R$ 5,02; nos EUA, R$ 12,75.
Em suma, o preço da banda larga no Brasil
chega a 400 vezes o preço vigente no Japão, 165 vezes aquele da Itália, 142
vezes o da França e 56 vezes o preço nos EUA – todos eles, países onde o poder
aquisitivo do conjunto da população é maior do que o da população brasileira.
Além disso, por incrível que possa parecer,
a Anatel jamais regulamentou a banda larga – isto é, jamais definiu qual a
velocidade mínima a partir da qual um serviço de internet pode ser considerado
“banda larga”. Pelo contrário, além de não definir a velocidade mínima, permite
que as operadoras forneçam apenas 10% da velocidade definida em contrato com os
usuários. Como consequência, além de extremamente cara, a banda larga oferecida
no país é algo próxima de uma carroça, quando comparada a outros países.
Como em todos os lugares onde atua, a
Telefónica se destaca como a mais escorchante, a mais ineficiente e o mais
bandidesco monopólio. No estudo da TelComp, constatou-se que em São Paulo o
preço do Megabit por segundo na Telefónica (R$ 159,80) era 4 vezes o preço do
Megabit por segundo na Net (R$ 39,95).
FRAUDE
Porém, voltando à observação que
mencionamos do presidente da Telcomp, apesar de óbvia, ela tem a virtude de
expor como uma fraude o relatório da conselheira Emília Ribeiro, da Anatel.
Nesse relatório, para aprovar “sem restrições” a compra da TVA pela Telefónica,
a conselheira lista 87 empresas que, em São Paulo, seriam competidoras no setor
de “serviços de comunicação multimídia”. Já apontamos, na edição passada que,
segundo a própria lista da conselheira, 44 das 87 empresas têm zero do mercado,
26 têm entre 0,01% e 0,09% e 12 têm entre 0,11% e 0,98%.
MONOPÓLIO
Mas, a questão levantada pelo presidente da
TelComp é que, naquilo que realmente interessa, a banda larga, só três empresas
dessa lista a fornecem – e, com a compra da TVA pela Telefónica, não são mais
três, e, sim, duas, e somente duas, com amplo domínio da
Telefónica.
Essa é a “concorrência efetiva” que,
segundo o relatório da conselheira, está garantida com a compra da TVA pela
Telefónica.
Nesta mesma edição (página 8), o engenheiro
Virgílio Freire, profissional de larga experiência na Telebrás, e, inclusive,
como diretor de multinacionais, esboça um perfil nítido da quadrilha denominada
Telefónica.
O parecer da conselheira é feito sob medida
para favorecer esses bandidos, passando por cima da mais comezinha realidade (a
concentração monopolista do mercado) e da lei, que não permite a uma empresa
estrangeira, muito menos a uma concessionária de telecomunicações, ser
proprietária de uma TV a cabo (artigo 7 e artigo 15 da Lei do Cabo).
TRANSTORNO
O presidente da TelComp, que manifestou-se
contra, já há dois anos, quando a Anatel, numa sessão vergonhosa, deu “anuência
prévia” para que o grupo Abril/Civita servisse de testa-de-ferro para a
Telefónica na TVA, apontou que “tal decisão mostrou-se um verdadeiro transtorno
aos consumidores, mas não só os residenciais, também os corporativos, o governo,
a polícia, os bombeiros, e tantos outros agentes sociais. Somente no último ano,
o estado de São Paulo sofreu com seis panes operacionais da Telefónica, apesar
das reclamações feitas pelo PROCON e Ministério Público, bem como da contínua
insatisfação das associações de defesa do consumidor”.
O presidente da TelComp considera que “a
falta de competição no mercado de voz e banda larga em São Paulo é a real causa
das seguidas falhas no serviço da operadora e, portanto, dos prejuízos
ocasionados aos milhões de usuários residenciais e corporativos do estado”.
ILEGALIDADE
Cuza propõe a adoção de restrições na venda
da TVA para garantir aos consumidores o direito de escolha. Sua proposta é
redistribuir para outras operadoras as frequências até agora operadas pela TVA
na internet: “diante dos fatos, a Anatel tem total competência e a
responsabilidade de condicionar a aprovação da operação à redistribuição das
frequências que a TVA detinha antes da compra pela Telefónica, para operadoras
controladas por outros grupos econômicos. Estas frequências, se licitadas
rapidamente, poderiam permitir a entrada de quatro ou cinco novas operadoras no
mercado de banda larga paulista, assegurando aos consumidores a possibilidade de
optar pelo preço, qualidade e atendimento de seis ou sete ofertantes de banda
larga”.
O presidente da Telcomp, naturalmente, quer
estabelecer alguma espécie de limite para o monopólio da Telefónica. Depois da
anuência da maioria do Conselho Diretor da Anatel à compra da TVA pela
Telefónica, provavelmente, é o que ele acha que pode fazer. O que parece
extraordinário, quase uma espécie de alucinação, é que todos, inclusive a
conselheira da Anatel, falam abertamente de uma flagrante ilegalidade – a compra
de Tvs a cabo por uma empresa estrangeira – como se a lei não existisse e
ninguém, nenhum dos responsáveis por esse delito, vai parar na cadeia. Mas,
amigo leitor, como dizia a Bíblia, há tempo para tudo.
VALDO ALBUQUERQUE
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