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Investimentos de R$ 2 bilhões anunciados
pela Telefónica não se realizaram em 2008, diz AET
O presidente Associação dos Engenheiros de
Telecomunicações (AET), Ruy Bottesi, divulgou nota de esclarecimento
reafirmando as denúncias de que os “investimentos” que teriam sidos feitos
pela Telefónica em 2008 podem ser menores do que os R$ 2,342 bilhões
anunciados “no programa de expansão e modernização dos serviços de
telecomunicações”.
Para o engenheiro, a tabela de investimentos
realizados, constante do Balanço de 2008 da Telefônica (Telesp), “não é
suficiente para comprovar se os investimentos foram de fato realizados
dentro do Estado de São Paulo. As informações existentes no referido balanço
são genéricas e, portanto, sem detalhamento de projetos, fornecedores,
prazos e valores efetivamente contratados”.
“Entendemos que é fundamental a comprovação dos
investimentos realizados em 2008 pela Telefónica (Telesp), mediante análise
dos contratos assinados com fornecedores de equipamentos e soluções, visto
que de fato não conseguimos identificar, junto aos tradicionais fornecedores
de equipamentos e soluções, com ponto de presença no Brasil, a realização de
contratações para ampliação e modernização da planta de telecomunicações no
Estado de São Paulo, no montante de R$ 2 bilhões divulgado pela empresa”,
diz a nota da AET.
Para aos engenheiros de telecomunicações, “é
fundamental apurar com rigor as informações prestadas pela Telefónica, pelo
fato da mesma ser uma companhia de capital aberto com ações na bolsa de
valores, e que está sujeita a regulamentações que dizem respeito à
responsabilidade corporativa pela veracidade do conteúdo dos relatórios
financeiros produzidos e pelo gerenciamento e avaliação dos controles
internos”. E acrescentam: “Vale lembrar que o ano de 2008 foi um ano
crítico, caracterizado pela crise do sistema financeiro global, onde a
economia de muitos países (da Europa, América e Ásia) entrou em processo de
recessão, com redução acentuada dos níveis de investimentos, inclusive no
Brasil. Atualmente, são várias as evidências que mostram que os
investimentos de R$ 2 bilhões anunciados pela Telefónica não se realizaram
em 2008, e de que também não realizarão o montante de R$ 2,4 bilhões
previstos para o exercício de 2009”.
O questionamento da AET tem sua razão de ser. No
item “5.6 Investimentos” do Balanço de 2008, diz a Telefônica: “Durante o
exercício, o programa de investimentos da Sociedade teve como objetivo
alcançar os mais altos padrões de qualidade e disponibilidade junto aos
nossos clientes, sem perder o foco no crescimento da rentabilidade
corporativa e na preparação competitiva da organização. A fim de satisfazer
uma demanda cada vez mais exigente, novos produtos e serviços foram
lançados, principalmente para atender ao negócio de internet, no que diz
respeito à consolidação da liderança do grupo no mercado de Banda Larga”. É
só lembrar as seis panes ocorridas nos serviços da Telefónica – em serviços
de telefonia e banda larga - nos últimos 12 meses para perceber que o texto
acima transcrito não tem nada ver com a realidade e parece ter sido escrito
por uma E.T. Não atendeu nem os mais baixos padrões de qualidade, tanto que
o Speedy, por exemplo, teve sua venda suspensa por dois meses. Teve sua
venda liberada pela Anatel sem que os problemas que determinaram a suspensão
de sua venda tivessem sido sanados.
A nota da AET foi divulgada em função de uma
declaração do diretor de Relações Institucionais da Telefónica, Fernando
Freitas, rebatendo a denúncia de que os investimentos feitos pela empresa
podem ser menores do que os anunciados. Para a Associação, a contestação do
diretor da Telefónica, ao mencionar o Balanço de 2008, “expõe a fragilidade
e deficiências da Anatel como órgão regulador e fiscalizador da
concessionária de serviços públicos de telecomunicações” e “desperta a
necessidade de investigação por parte do Ministério Público Federal”.
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