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A pesquisa de Montenegro “bola nossa”
LUIS NASSIF (*)
A pesquisa IBOPE/CNI é claramente enviezada.
Na composição de candidaturas, como saber o
potencial do governador José Serra? Colocando-o contra apenas uma
candidatura forte da situação: ou Ciro Gomes, ou Dilma Roussef.
A pesquisa trabalha em cima de vários cenários.
Mas nenhum deles contempla o ponto essencial: Serra concentrando os votos
anti-Lula; e um candidato (Ciro ou Dilma) concentrando os votos pró-Lula ou
anti-Serra. Essa é a grande indagação, a que mais interessa a todas as
partes, a que melhor permite avaliar o potencial da candidatura Serra. Mas
não é contemplada.
Em vez desse cenário, a pesquisa trabalha as
seguintes composições de candidatos:
1. No cenário principal, Serra, Dilma, Ciro,
Marina e Heloisa.
2. No cenário 2, tira Serra e coloca Aécio. Mas
mantém Ciro e Dilma.
3. No cenário 3, tira Heloisa Helena. Mas mantém
Serra, Ciro e Dilma.
4. No cenário quatro tira Serra e Heloisa
Helena, e deixa Aécio, Ciro, Dilma e Marina.
Ou seja, testou todas as composições, menos a
essencial: uma candidatura forte da situação contra ele (no primeiro ou no
segundo turno).
Não dá para questionar a metodologia adotada,
sem as informações técnicas sobre a pesquisa e o conhecimento de técnicas
estatísticas.
Mas é evidente que a escolha dos cenários de
candidaturas visou poupar a candidatura Serra de qualquer maneira.
(*)
Extraído do blog do jornalista
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