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Trem pega fogo na 11ª pane do ano no Metrô de São Paulo
“Não pode ocorrer gambiarra em um meio de transporte público que atende a
milhares de pessoas por dia, como o metrô”, denunciou diretor do Sindicato dos
Metroviários de SP
Um
principio de incêndio na estação Sé do metrô de São Paulo paralisou a circulação
de trens em todas as linhas na manhã desta quarta-feira (23). O reflexo da falta
de manutenção do transporte foi novamente sentido pela população, que sofreu com
a lentidão e superlotação dos trens por até duas horas após o fogo ter sido
apagado. Somente neste ano, o metrô de São Paulo já sofreu 11 panes, em todas as
linhas.
“O metrô terá de fazer a análise desse acidente, mas com certeza não é a
primeira vez que isso ocorre. Dizer que é a primeira vez que ocorre um princípio
de incêndio no metrô é mentira”, denunciou Benedito Barbosa, diretor de
Comunicação e Imprensa do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Segundo ele,
a terceirização de serviços no metrô prejudica o bom funcionamento do
transporte.
A pane desta quarta atingiu toda a cidade, já que os passageiros dos trens, que
chegaram a andar a pé pelas linhas, desembarcaram do metrô e foram aos pontos de
ônibus, que por sua vez não estavam preparados para a demanda. Até o trânsito
foi afetado.
Fusível
De acordo com o Metropolitano, o incêndio começou em um vagão de trem da Linha
1-Azul, as 06:37 h, após o mau funcionamento de uma peça, aparentemente um
fusível. Os passageiros entraram em pânico e na correria para sair do trem,
deixaram cair bolsas, pastas e outros objetos pessoais. Várias pessoas sofreram
de mau súbito na estação.
Barbosa denunciou que “atualmente existem muitos funcionários terceirizados no
metrô, e por muitas vezes o serviço feito por alguma empresa de terceirização
tem de ser refeito por algum metroviário”. “Queremos que o metrô assuma de fato
a responsabilidade por todos os setores do transporte, inclusive a manutenção,
esse tipo de serviço não pode ser terceirizado”, completou o sindicalista.
“A peça que causou o acidente na manhã dessa quarta-feira foi trocada
recentemente. Era uma peça nova, mas não era conhecida pelo setor de manutenção
do metrô. Às vezes o equipamento é novo, mas não tem mais qualidade do que o que
era utilizado anteriormente. Devemos apurar”, denunciou Benedito Barbosa.
Cosmética
O sindicato dos metroviários lançou uma nota denunciando as “medidas cosméticas”
que vem sendo tomadas pelo governo de São Paulo, administrador do metropolitano.
O sindicato reivindica que o metrô “investigue o ocorrido, apure os fatos e
adote medidas concretas para evitar novas falhas, ao invés de adotar medidas
cosméticas, que transmitem à população apenas a sensação de que suas
necessidades estão sendo atendidas”.
Na nota, os metroviários também chamam a atenção para o fato de que “os
metroviários se desdobram para prestar o melhor serviço de transporte público”.
A posição é reafirmada por Barbosa. Segundo ele, “os transtornos causados à
população foram enormes, as pessoas ficaram irritadas com razão, mas o que o
metroviário deseja é que o transporte funcione cada vez melhor”. “Gambiarra e
trabalho terceirizado não podem ocorrer em um meio de transporte público que
atende milhares de pessoas por dia, como o metrô”, completou o sindicalista.
FERNANDA CALVI |