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DF: governo entrega equipamentos usados e alugados por 90 dias dizendo que tinha
comprado por R$ 3 milhões
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e o secretário de Saúde
Distrital, Augusto Carvalho, entregaram no dia 16 de junho, 30 kits de
equipamentos, que totalizavam a quantia de R$ 3 milhões, afirmando que seriam
utilizados para desafogar a precária rede de atendimento de saúde da região.
Mas, após uma série de depoimentos ao Ministério Público do DF, descobriu-se que
tudo não passava de uma jogada de marketing.
A reportagem do jornalista Leandro Fortes, publicada pela Revista Carta Capital,
afirma que as falcatruas começaram a ser desvendadas após a descoberta, feita
por pelo promotor Jairo Bisol, de que os equipamentos eram, além de usados,
obsoletos tecnicamente. Além disso, alguns equipamentos não tinham nota fiscal e
outros não tinham nenhum documento que provasse sua origem.
Duas pessoas, Gustavo Teixeira de Aquino e Marisete Anes de Carvalho, que não
têm nenhuma ligação com o serviço público de saúde do DF, eram os destinatários
da mercadoria. Após ser identificada, Marisete afirmou ter sido procurada por
Davi Clemente Monteiro Correia, dono da Equipamed e amigo pessoal de Fernando
Antunes, secretário-adjunto de Saúde do DF e braço direito de Augusto Carvalho.
Seu endereço comercial foi usado apenas para formalizar a entrega dos
equipamentos.
Gustavo Teixeira, por sua vez, foi identificado como sendo sócio do empresário
Davi Correia, também amigo secretário-adjunto, em um Centro Brasileiro de
Medicina Avançada, em Goiânia. Além disso, Teixeira é irmão de Rodrigo Teixeira
de Aquino, dono da Intensicare Gestão em Saúde Ltda., representante de
equipamentos hospitalares. A empresa de Rodrigo Aquino fechou um contrato de R$
33,3 milhões, apenas 15 dias depois da falsa entrega de equipamentos, para
administrar 70 leitos de UTI do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito
Federal.
Em depoimento ao MP, o secretário Fernando Antunes, admitiu a amizade com Davi
Correa e assumiu que os equipamentos entregues ao setor de saúde do DF,
anunciados como sendo parte de um projeto para a expansão das UTIs, e com custo
de R$ 3 milhões, eram na verdade emprestados, por um prazo de 90 dias.
Na origem das transações, segundo o jornalista da Carta Capital, está a decisão
de Arruda em entregar, sem processo de licitação, para a Real Sociedade
Espanhola de Beneficência, ou Hospital Espanhol, o Hospital Regional de Santa
Maria, segunda maior unidade de saúde pública do Distrito Federal.
O Hospital Regional de Santa Maria recebeu, no total, R$ 130 milhões para as
obras de sua construção, sendo R$ 8 milhões do governo federal. O governo do DF
anunciou que o hospital receberia mais R$ 28 milhões em equipamentos. Segundo o
contrato, além de não desembolsar um centavo, a Real Sociedade Espanhola de
Beneficência receberá do governo Arruda R$ 222 milhões por apenas dois anos de
convênio.
O processo de privatização do Hospital Regional de Santa Maria, desde sua
implantação, vem sendo contestado por diversos setores, inclusive pelo
Ministério Público. A Real Sociedade Espanhola, investigada pela Controladoria
Geral da União, é acusada de desvio de dinheiro público em Salvador, onde também
administra um hospital.
Com base nessas informações, há duas semanas, o Conselho Nacional de Saúde
solicitou ao Ministério da Saúde o cancelamento dos repasses do SUS ao GDF até o
final das investigações sobre o contrato de terceirização do Hospital de Santa
Maria.
Uma auditoria, feita pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus),
revelou que recursos repassados pelo governo federal eram usados em aplicações
financeiras no Banco de Brasília (BRB), estatal e controlado por Arruda. Segundo
o Denasus, o GDF recebeu, em 2008, a quantia de 378 milhões de reais da União
para programas de saúde. Em março, 238 milhões de reais desse montante estavam
aplicados em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) no BRB.
Segundo Francisco Batista Júnior, presidente do CNS, “vários desses processos de
terceirização demonstram ter sido montados para formar caixa 2 de campanha de
grupos políticos”, afirma. |