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CPI divulga áudios e aliados de Yeda recuam do boicote às investigações
Os deputados que apoiam Yeda Crusius (PSDB) recuaram do boicote à CPI que
investiga a participação da governadora nos desvios de R$ 44 milhões do
Detran-RS após a divulgação dos áudios que comprometem o governo tucano do Rio
Grande do Sul.
Assim, depois de 30 dias de instalada a CPI, foram aprovados os primeiros quatro
nomes para depor, após uma reunião fechada dos 12 integrantes da comissão na
última quarta-feira (23). O líder do governo na Assembleia, Pedro Westphalen (PP),
admitiu o desgaste e defendeu a presença dos aliados de Yeda na comissão. “A
Assembleia está perdendo muito [com a divulgação dos áudios], isso não é bom nem
para a oposição e nem para os aliados”, disse.
Por seu lado, o tucano Coffy Rodrigues, relator da CPI, saiu pela tangente
procurando explicar o recuo da base governista: “Em 30 dias, nunca havíamos sido
chamados pela presidente para uma reunião reservada como essa”. Nesta quinta, a
presidente da CPI, Stela Farias (PT), e o relator Coffy devem se encontrar para
começar a estabelecer as regras de funcionamento da comissão, que ainda não tem
regimento votado. Também nesta quinta-feira Stela e Coffy vão se reunir com mais
dois deputados – um da oposição e outro governista – e técnicos da Assembléia
gaúcha para traçar a estratégia dos depoimentos.
Os quatro nomes convocados são: os ex-presidentes do Detran, Sérgio Buchmann e
Estella Maris Simon, o atual presidente da autarquia, Sérgio Filomena, e o
secretário-adjunto de Administração, Genilson Ribeiro.
Entretanto, não houve consenso para ouvir o depoimento que mais constrange o
governo tucano, que é o do ex-diretor-presidente do Detran-RS, Flávio Vaz Netto.
Num dos trechos dos áudios ouvidos pelos deputados da CPI na segunda-feira, Vaz
Netto ameaça entregar o esquema, denunciando a governadora e o
ex-secretário-geral de governo, Delson Martini, à CPI do Detran (fevereiro/julho
de 2008).
O plenário da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou na
quarta-feira por unanimidade a Comissão Especial que tratará da denúncia por
crime de responsabilidade contra a governadora Yeda Crusius. Caso seja
comprovada a denúncia e a maioria da comissão aceitar, a governadora sairá do
governo por impeachment. A Comissão será formada por 29 deputados – 17 de
aliados de Yeda e 12 da oposição. Ela deveria ter 30 nomes, mas o PMDB, que
teria 5 nomes, apresentou apenas 4. |