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Bancários deflagram greve em todo o país por 10%
de aumento
Categoria aprovou paralisação em São Paulo, Rio
de Janeiro, Brasília, Rio Grande do Sul, Paraná,
Ceará, Bahia, Mato Grosso, Espírito Santo, entre
outros
Os bancários de 19 Estados entraram em greve por
tempo indeterminado nesta quinta-feira. Após as
assembléias que rejeitaram a proposta dos
bancos, a categoria deflagrou greve nacional por
reajuste salarial de 10%.
“Os bancários responderam à altura a provocação
feita pelos bancos, que querem reduzir a PLR e
não apresentaram propostas que contemplem
aumento real, valorização dos pisos salariais,
proteção ao emprego e melhores condições de
saúde e de trabalho”, afirma Carlos Cordeiro,
presidente da Confederação Nacional dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e
coordenador do Comando Nacional dos Bancários.
Em São Paulo,
o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e
Região, reuniu cerca de 2 mil trabalhadores em
assembleia realizada na sede da entidade. Além
do reajuste de 10%, cerca de 5% de aumento real,
os bancários reivindicam PLR (Participação nos
Lucros e Resultados) de três salários mais R$
3.850, valorização do piso salarial e que a
manutenção dos empregos seja garantida. De
acordo com o sindicato, a proposta da Federação
dos Bancos (Fenaban) inclui, além de 0% de
aumento real, a redução do PLR e o corte de
direitos como o auxílio-creche de 83 meses para
71. Os sindicalistas também denunciaram
perseguições e ameaças contra grevistas.
“A resposta dos trabalhadores reunidos na
assembléia desta quarta-feira está dada:
rejeição unânime à proposta e uma grande greve
que só vai acabar quando os bancários tiverem
suas reivindicações atendidas”, avisa o
presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.
“Os bancários vão ter de mostrar toda sua garra,
mais uma vez. E não será fácil. Os banqueiros
estão colocando as manguinhas de fora, mostrando
a todos como suas propagandas sobre
responsabilidade social são enganosas, jogando a
Polícia Militar contra os bancários, apelando à
Justiça contra o legítimo direito de
manifestação dos trabalhadores. Vamos precisar
de muita união e organização para enfrentar toda
essa baixaria.” Semana passada o banco Santander
entrou com ação na Justiça para impedir a
mobilização de trabalhadores.
Conforme Marcolino, há cinco anos os
trabalhadores vêm conquistando aumento real com
a realização de greves: “Estamos partindo para o
sexto ano consecutivo com greve. E por total
irresponsabilidade dos banqueiros que querem
economizar às custas dos salários de seus
funcionários. É inaceitável”, diz Marcolino.
“Nós, bancários, não vamos admitir isso. Nossa
greve está começando e vai crescer a cada dia.
Nossa categoria é composta de gente de luta, que
sabe seu valor, suporta as agruras do dia a dia
nas agências com toda dignidade e é essa força
que agora estará nas ruas para pressionar os
irresponsáveis banqueiros”, convocou o
presidente.
O Sindicato de São Paulo realiza nesta quinta
nova assembléia para discutir as próximas ações
dos trabalhadores. Na sexta, será realizada uma
manifestação na Avenida Paulista, com
concentração na Praça Oswaldo Cruz, a partir das
15 horas.
Os bancários também entram em greve em outras
localidades do país, como Rio de Janeiro, Belo
Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba,
Florianópolis, entre outras. Os Estados
Pernambuco, Ceará, Mato Grosso, Bahia e Espírito
Santo também pararam.
“É inadmissível que os bancos, com seus altos
lucros e com o pagamento de bônus milionários a
seus executivos, queiram reduzir os salários e a
participação nos lucros dos bancários”, afirmou.
Conforme dados do Sindicato dos Bancários do
Paraná, os lucros do banco Santander, por
exemplo, no primeiro semestre desse ano, chegou
a R$ 1,874 bilhão. O banco Itaú foi o que mais
lucrou no período: R$ 4,586 bilhões (ver tabela
ao lado).
Segundo Carlos, “com as deliberações
democráticas das assembléias, que contaram com
participação massiva da categoria, os bancários
deixaram claro que a greve só acabará com uma
nova proposta que contemple nossas
reivindicações”. |