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Resposta aos
racistas, frente ao Hino à Negritude
*EDUARDO DE
OLIVEIRA
Sinto-me, deveras, perplexo e surpreso em
precisar responder ao conhecido jornalista Nelson Motta tendo em vista matéria
de sua autoria, publicada no jornal O Globo, edição 18 de setembro do ano em
curso, com considerações desairosas e ofensivas aos negros e aos aliados de seus
ideais de cidadania plena, alusiva ao fato de a Câmara dos Deputados ter, em tão
boa hora, aprovado o projeto de lei de iniciativa do Deputado Federal Vicentinho
(PT-SP), que oficializou o “Hino à Negritude”, letra e música do Professor
Eduardo de Oliveira, em todo o território nacional, a exemplo do que tem
ocorrido em Assembleias Legislativas de vários Estados e em Câmaras Municipais
de dezenas de cidades brasileiras.
Para nós, que militamos vinte e quatro horas por
dia nas trincheiras dos embates em favor dos Direitos Humanos, contidos no
ideário da Igualdade Racial, é ocioso lembrar dos importantes nomes que o
articulista enumera, todos por nós conhecidos, junto aos quais, há miríades de
outros de iguais valores, omitidos pelo autor, julgamos, por uma questão de
justiça, destacarmos o de Nei Lopes, respeitável e bem abalizado sambista,
cantor e compositor parnasiano que, ao se referir ao Hino à Negritude, expressa
textualmente: “O mestre poeta Eduardo de Oliveira, no frescor de seus 16 anos
[hoje com 83 aos de idade], ali por volta de 1942, preferiu este Hino. Composto
‘nas regras da Arte’ e com o apuro do seu talento. Um hino na mais rigorosa
expressão da palavra. Melodia envolvente, versos mobilizadores. Aqui na
interpretação do próprio autor. Um hino atemporal em sua beleza. Como atemporal
é a Negritude e como intrinsecamente deve ser um Hino”, peça esta que está
incluída do CD que mereceu o apoio da conceituada empresa NESTLÉ.
A bem da verdade, é oportuno que se diga que o
Presidente da Ordem dos Músicos do Brasil, Dr. Wilson Sandoli, no tocante aos
méritos musicais da partitura em epígrafe, assim se expressa: “Lendo a letra
e a música do ‘Hino à Negritude’, de autoria de Eduardo de Oliveira ... tenho
que ressaltar que se trata de uma esplêndida gesta lítero-musical. Seus acordes,
ao atenderem as exigências da boa técnica para tal modalidade artística, cantam,
enaltecem e elevam os valores cívicos da civilização brasileira de modo a
colocarem em evidência o espírito de fraternidade e de salutar união que existe
entre as raças que compões a nossa história: são os negros, os brancos e os
índios que vivem, labutam , engrandecem o nosso cadinho multicultural”.
Em razão do exposto acima, o autor do Hino à
Negritude, com as demais instituições que se identificam com as propostas de
valorização, soerguimento e auto-estima da visível maioria dos negros deste
país, vem a público, por meio deste manifesto de desagravo e repúdio ao
desrespeito com que Nelson Motta inseriu no jornal O Globo matéria com
tendencioso título “Hino ao racismo”, e da jornalista que o reproduz, “ipsis
literis”, tal matéria no jornal Estado de S. Paulo, exigir, a quem compete, o
seu “Direito de Resposta” nos mesmos espaços em que tais pérfidos artigos foram
publicados.
*Presidente do Congresso Nacional
Afro-Brasileiro (CNAB) e autor do Hino à Negritude |